quinta-feira, 19 de abril de 2007

Tirando uma

Uma tirinha trash feita a caneta Bic numa folha de caderno e editada no Paint:


quarta-feira, 18 de abril de 2007

Cortando o barato

Vão aí  motivos psicodélicos para não se envolver com drogas:

-  Evasão de $$$.

- Ganhar apelidos chatos como Hippie (maconheiro), Narizinho (cocaineiro), Pé-de-cana ou Zé Gotinha (bebum), M&M's (comprimideiro), Pedreiro (crackeiro), Picadura (heroineiro).

- Correr o risco de gastarmos tempo demais com isso.

- Se exagerarmos na(s) dose(s), nosso organismo não agüenta.

- Se o corpo agüentar e sobrevivermos, ficaremos com uma aparência à Keith Richards ou tremeliques à João Paulo II ou tiques nervosos à Lesado (conferir a série Espinha & Fimose no site do chargista Maurício Ricardo) ou tudo isso junto.

Trecho do post linkado ali no 1° parágrafo e que hoje eu não alteraria um átomo sequer:

No País das Maravilhas, o consumo de droga traria eventuais problemas somente para o próprio usuário. A situação complica mais ainda porque, num ambiente em que responsabilidade é démodé, invariavelmente apelamos para soluções-gambiarra como a descriminalização irrestrita da venda de lombras.

Drogas acabam com o fígado, o coração e os rins, detonam a sua mente e, de modo geral, fazem com que você fique igualzinho aos seus pais. Iluminada frase atribuída ao bigodón Frank Zappa.

domingo, 18 de março de 2007

PiroCINEse

O Cineclube PiroCINEse surgiu da iniciativa de um grupo de colegas, incuravelmente alucinados por cinema nas suas mais diversas manifestações, que costumavam se reunir para conversar e trocar informações sobre o brinquedo dos Lumière e seus derivados. Sabem a idéia de diversão levada a sério? Pois é, aquele grupo resolveu arregaçar as mangas e dar um gás na movimentação cineclubista aqui na cidade. Passaram a organizar mostras na sala de vídeo do SESC - Fortaleza, com debates (sem firulas, bem informais) ao final de cada exibição. Comecei a freqüentar as sessões lá pelos idos de julho de 2005, durante uma mostra de ficção científica. Virei cadeira cativa e, apesar de meu parco conhecimento cinematográfico (pelo menos comparado ao dos caras), entrei para o time também.

Neste mês de março, o PiroCINEse apresenta a mostra O Cinema de Robert Altman. A programação:

03/03/07 - A Fortuna De Cookie (Cookie's Fortune, EUA, 1999)
10/03/07 - M*A*S*H (idem, EUA, 1970)
17/03/07 - Cerimônia De Casamento (A Wedding, EUA, 1978)
24/03/07 - De Corpo E Alma (The Company, EUA/ALE, 2003)
31/03/07 - Assassinato Em Gosford Park (Gosford Park, EUA/ALE/ITA, 2001)

Quando e onde:
Sala de Vídeo do Sesc - Fortaleza
Aos sábados, 9h, Entrada gratuita
Rua Clarindo de Queiroz, 1740 - Centro


Comunidade Cineclube PiroCINEse no Orkut.

terça-feira, 13 de março de 2007

Dicionário do Diabo

Não, não é sobre o engraçado e venenoso livrinho do americano Ambrose "Bitter" Bierce. Acontece que - já falei disso -, durante as esporádicas faxinas que faço no meu cafofo-escritório-gruta-eremitério, fatalmente encontro material interessante em papeladas antigas (jornais, revistas) que guardo e, com o tempo, esqueço que existem. Um jornal velho amarelado trazia uma reportagem sobre o sistema penitenciário do Ceará. Havia um curioso dicionário de termos usados pela mundiça dos presídios:

Adega - Advogado

Adiantar o lado - Ajudar

Adianto - Vantagem

Aranha - Comprimido

Arrepiar - Agir

Atrasar o lado - Prejudicar

Bacia - Vasilha para refeições

Bagulho - Pênis; droga

Bala - Cigarro de maconha fino

Balde - Homossexual

Baleia - Peixe frito

Bater cadeado - Fechar celas

Bicho - Policial

Bico de coruja - Cela de tortura do IPPS

Bilhete azul - Perturbado mental

Embarreirar - Dificultar

Bojo - Vaso sanitário

Bordado - Marcas de espancamento

Botar queixo - Argumentar

Branco - Cigarro

Brilho - Cocaína

Cacique - Líder de facção

Cantar - Confessar um delito

Catatau - Bilhete

Casa amarela - IPPS

Casarão - IPPS

Cheiro de queijo - Armadilha fatal

Chiaba - Comida ruim

Chumbinho - Pão muito fermentado

Coletor - Preso mensageiro da rua

Cossoco - Arma artesanal

Cruzar - Encontrar um inimigo

Cruzeta - Cilada

Cu de cobra - Cela de tortura do IPPOO

Deitar na seda - Matar

Deitar o pêlo - Matar

Descer - Ir para o presídio; ir para o meio do perigo

Desdobrar - Convencer, embromar

Dólar - Cigarro de maconha grosso

Draga - Arma de fogo

Duzentão - Estuprador (referência ao artigo 213)

Embaçar - Atrapalhar

Embarreirar - Dificultar

Endolar - Enrolar cigarro de maconha para comercializar

Engorda - Comida que sai ilegalmente

Enxame - Confusão

Escalar - Intimidar com arma

Escamoso - Desconfiado; experiente

Espinha - Gancho para provocar blecaute e fugir

Espirrar - Delatar (espirrador = delator)

Farinha - Cocaína

Favela - Interior do presídio, área onde ficam os presos sem poder financeiro

Fazer jogo - Comercializar

Fazer o jogo - Ficar do lado de alguém

Filmar - Observar

Fita - Informação

Fogo - Revólver

Foguete - Confusão

Goiaba - Homossexual

Homem da capa preta - Juiz

Homem de bota - Polícia

Impregnado - Dopado

Irmã - Maconha

Latró - Aquele que mata para roubar (abreviatura de latrocida)

Lesa - Risco de vida

Libertina - Liberdade

Macaca - Metralhadora

Mãe - Maconha

Manga lisa - Soldado

Pagar sugesta - Intimidar

Papagaio - Rádio

Passar a fita - Delatar

Passar maionese - Embromar

Pedágio - Pagar proteção

Pegar pilha - Ficar nervoso

Pêlo - Vida

Pescoço na seda - Risco de vida; ameaçado de morte

Pingüim - Tranqüilo

Puxar o cordão - Começar um tumulto

Quebrar o regime - "Vacilar" na liberdade condicional

Relógio - Coração

Rocha - Rohypnol (medicamento psicotrópico)

Sal - Castigo

Tereza - Corda feita com lençóis amarrados, utilizada nas fugas

Tranca dura - Castigo

segunda-feira, 22 de janeiro de 2007

San Andreas

VOU-ME EMBORA PRA SAN ANDREAS

Vou-me embora pra San Andreas

Lá sou inimigo da lei

Lá tenho a mulher que eu quero

No carro que escolherei

Vou-me embora pra San Andreas

Vou-me embora pra San Andreas

Aqui não sou feliz

Lá a existência é uma aventura

De tal modo inconseqüente

Que Candy Suxxx,

A De Profissão Estranha,

Pornstar e falsa demente

Vem a ser contraparente

Da nora que eu nunca tive

E como farei ginástica

Andarei de bicicleta

Atropelarei o povo brabo

Quebrarei o pau a esmo

Tomarei banhos de mar!

E quando estiver cansado

Deito na beira do rio

Mando chamar Nessie.

Pra me contar histórias

Que no tempo de eu menino

O Azulay vinha me contar

Vou-me embora pra San Andreas

Em San Andreas tem tudo

É outra civilização

Tem código secreto

Pra impedir a detenção

Tem arma semi-automática

Tem delinqüência à vontade

Tem prostitutas bonitas

Para gente namorar

E quando eu estiver mais triste

Mas triste de não ter jeito

Quando de noite me der

Vontade de me matar

Lá sou inimigo da lei

Terei a mulher que eu quero

No carro que escolherei

Vou-me embora pra San Andreas.

domingo, 31 de dezembro de 2006

Ossos de um ofício

Direto da fronteira 2006-2007. Entra ano, sai ano, raros são os que resistem ao impulso de repassar esses textinhos cabotinos que circulam pela internet:

(dedicado a meus coléguas de trabalho)

O QUE É TRABALHAR COM INFORMÁTICA

Você trabalha em horários estranhos (que nem as putas)

Pagam a você para fazer o cliente feliz (que nem as putas)
 

Seu trabalho sempre vai além do expediente (que nem as putas)

Você é mais produtivo à noite (que nem as putas)

Você é recompensado por realizar as idéias mais absurdas do cliente (que nem as putas)

Seus amigos se distanciam de você, e você só anda com outros iguais a você (que nem as putas)

Quando vai ao encontro do cliente, você tem de estar sempre apresentável (que nem as putas)

Mas quando você volta, parece saindo do inferno (que nem as putas)

O cliente quer sempre pagar menos e que você faça maravilhas (que nem as putas)

Quando perguntam em que você trabalha, tem dificuldade de explicar (que nem as putas)

Se as coisas dão errado, é sempre culpa sua (que nem as putas)

Todo dia, ao acordar, você diz: NÃO VOU PASSAR O RESTO DA VIDA FAZENDO ISSO (que nem as putas)

sexta-feira, 1 de dezembro de 2006

A caixa

-((VOLTAMOS A APRESENTAR))-

Em minha época de teentelectualóide (ou será muita pretensão considerar essa condição fato do pretérito extinto?), teatralmente indignado com o que eu designava nas rodas de conversa como baixarias e detritos da TV aberta, ameaçava o prosaico eletrodoméstico com as penas do inferno de Dante, vociferava, erguia o punho cerrado de ódio, esculhambava, meu discurso atingia a veemência de um pastor ou aiatolá alucinado, conclamava colegas ao boicote, combinava de sabotar torres de transmissão e fuzilar apresentadores.

Se eu era telespectador de tanta fuleiragem, só podia estar gastando tempo demais em frente ao aparelho (a caixa, como eu a chamava, em referência a um episódio do antigo desenho animado dos X-Men; na história, havia uma prisão em que esse era o apelido de um tipo diferenciado de celas, parecidas com armários de ginásio). Descobrindo eu que isso era o problema, o pecado original, tratei de resolvê-lo com dura disciplina, educação pela pedra. Hoje, quando penso no desbotado assunto de "nível/qualidade da TV (não só brasileira)", imagino a espécie de público que consome aquilo, que fustiga uma possante demanda por aquilo e -((eureka!))-

duas peças de Lego, dois elos de uma corrente opressora, um gatilho e um dedo, um neurônio e uma molécula de lombra, um pen drive e uma entrada USB, a proibição e o desejo, a tomada e o cabo de energia, Ana Raio e Zé Trovão, os hexágonos de uma colméia, citosina e guanina, a porca e o parafuso, a chave e a fechadura, a TV e seu fiel público: tudo se encaixa

Nada há que mudar. Alterações anulariam a relação entre os participantes, talvez fizessem até algum dos lados (ou todos) - transmissor e receptor - perecer, como numa separação fracassada de gêmeos siameses.

Vejamos o que ocorre com uma mídia overrated como o livro. No mundinho da escrita, existem as Valerie Solanas e Bruna Surfistinha da vida, e nem por isso elas são vistas como prova de quão abominável é o ato de ler, como um todo. Com a televisão, o julgamento é bem diverso. Paspalhos como João Kléber e Sônia Abrão são comumente usados por espertinhos para justificar uma ampla e irrestrita condenação da prática de assistir a TV.

Esses dias, vi um oráculo da pá virada. Era um conglomerado lobbysta de fantasmas da TV do passado. Que me vaticinou o seguinte: daqui a 50 anos, ainda vamos ter bate-boca entre teléfilos e teléfobos, com pseudos e seus argumentos high tech indigentes reclamando do que é exibido nas telas de plasma. O usuário, com sua burrice natural, zapeando os canais com o cyber controle remoto de inteligência artificial.

-((INTERVALO COMERCIAL))-