domingo, 29 de novembro de 2009
sábado, 31 de outubro de 2009
God save the Queen
Londres de manhãzinha. Eu trajava um terno de gângster de película do
Tarantino. Virara a noite na Brixton Academy, num show do Quim
Barreiros, o mestre lusitano da polissemia. Camões é para os fracos.
Meti o pé na carreira rumo ao Palácio de Buckingham. Tinha um encontro
marcado com a fantástica e insuperável rainha Elizabeth II. Foi um
agradável meeting regado a wit & fofoca. Misturamos Funk do Quadrado
com Trafalgar Square, abadia de Westminster com bateria do Salgueiro, Thames com
rio Cocó. A seguir, compacto dos melhores momentos do colóquio do plebeu
com a majestade:
I) Amarrotado, arfante e fedendo a cigarro alheio, tive que improvisar para me recompor. Olha o decoro, meu filho. A Real Senhora cumprimentou-me com sua perene elegância e imponência de leão rampante de brasão. Dirigimo-nos para uma mesa. Um luxuoso desjejum nos esperava, utensílios gravitavam em torno de um bule imperial. A regra de ouro recomendava evitar obviedades do tipo elogiar a porcelana, o chapéu, o vestido de chiffon, o colar de ametista ou a intervenção cirúrgica que extraiu uma papada.
II) Apostei em amenidades. Como foi a última caça a raposa ou partida de whist, se ela ainda se destacava no críquete, na equitação, na esgrima. Baseado na experiência de tanto ler blogs de mequetrefes que acham estiloso poluir as frases com silly English, desviei para uma egotrip e confessei o que sofri, em meus dias de escrevinhador neófito, com a síndrome de Agepê ("Faz de conta que sou o primeiro"). Suava, teclava com violência e pensava, A-ha, enfim vou produzir o texto definitivo sobre ______. A tentação de ser original e desbravador. Nunca usei, porém, sintaxe de bêbado irlandês.
III) Falando nisso, informei-lha que em Pindorama - alcunhada de País do Futuro por um suicida estrangeiro - agora qualquer indigente oriundo de comunidades ribeirinhas ou classe-média com fumos de literato tem um blog. Dei dicas de uns bem ruins e constrangedores que freqüento por diversão. Ela riu quando descrevi uns tão sisudos e esforçados, mantidos por estudantes de Comunicação Social que confundem Lady Di com Lady Kate, musselina com Messalina, Elevador Lacerda com Genival Lacerda. E existem também os que crêem abafar na ironia ferina terminando sentenças com ahahahaus, rsrsrs, kkkkk ou !!!!!. O esquema é relaxar e mandar a turma dos seqüelados cheirar amianto ou plantar batata no Camboja. Ela, apreciadora das gaiatices da revista Punch, entendeu-me perfeitamente. Ser piadista de salão é nossa meta, isso sim.
IV) Citei a terrinha e ela recordou a ocasião da foto ao lado do presidente, o Rei Momo de Garanhuns. Não espalhem, ela me confidenciou que ele exalava um bodum de casca de mexerica. Expliquei que se tratava de um dos orgulhos nacionais, o miasma característico das camadas populares e dos camaradas populistas. Aliás, ela demonstrou guardar referências peculiares da nação-pandeiro. E tome-lhe comentar os quadros de Rugendas e do Debret, Hans Staden, Sir Pelé, biocombustível, licor de jenipapo, fubá, cacique Raoni com o Sting, anaconda, ipê, D. Pedro I, o Gurgel, Ronald Biggs, o filme The Boys From Brazil. À menção de bossa nova, engasguei-me de escárnio com uma torrada.
V) E lembrei uma das visitas dos Sex Pistols à pátria do carnaval. É, aquela bandinha, uma das piores da galáxia e que lançou em 1977 um clássico do punk rock em homenagem à querida Liz. Foi em 1996, eles velhotes e enrugados, como se esculpidos em Vitamilho com queijo parmesão, tirando onda do fato de que estavam ali apenas para garantir uns shillings para a aposentadoria. Como diria o finado jornalista sem diploma, ex-trotskista de bergère e tupiniquim exilado entusiasta da Margaret Thatcher: Waaaal.
VI) Fatal e infelizmente, veio à tona a política, com sua presença amálgama de verdureiro e graduando de Administração de Empresas. Veja, ilustríssima, sei que os bretões já passaram por maus pedaços. Guerra dos Cem Anos, Guerra das Falkland (contra os súditos do Carlos Gardel). Henrique VIII. Os telhados aterrorizados pelos vôos de V-2. A série de atentados em 2005. O incidente com o Jean Charles. As atuais invasões bárbaras. Cada um no seu calvário. Lá debaixo do Equador, a praga da moda, além da gripe H1N1, é o vulgar e muar bolivarianismo, xodó dos marxicólatras (marxistas festivos da escola Xico Sá). Imagine uma versão sul-americana das vuvuzelas. Sinônimo de primitivismo e de barulheira paleolítica. Much ado about nothing. Que vontade de arremessar uma máquina de refrigerantes na cabeça desse povo.
VII) E por falar em gentalha, desculpe, mas que negócio podre que armaram nos ônibus aqui, hein? A cambada da Igreja Universal do Reino de Sagan-Dawkins não tem senso de ridículo. Os que acreditam em elétrons continuam se considerando superiores aos que acreditam em anjos.
VIII) A egrégia dama fuzila: e você é reacionário, anarquista, esquerdista, maratonista, trapezista ou o quê? Essa é a charada de 1 milhão de libras. Sou de investir no que me soa sensato e de preservar o que funciona. Observe que, em outras épocas, os vendilhões do templo é que eram o status quo, em oposição ao subversivo Cristianismo. Escravidão era o cerne de um montão de atividades e de ambições, até aparecer o [michaelmoore]famigerado[/michaelmoore] capitalismo 2.0 com o canto de sereia de expandir mercados consumidores. Se sob as cores da Union Jack costume significa liberalismo e Lord Acton, advirto que na província de onde venho, atrasada e de alarmantes temperaturas, tal conceito degenera no grude indigesto que inclui coronelismo, nanny state e voto de cabresto. Conservadorismo tropicaliente. A longevidade e a difusão de uma prática nada provam. E, sim, às vezes é difícil-de-doer separar alhos e bugalhos de Barbalhos. O que merece permanecer, o que precisa ser reformado.
IX) Esses temas são chatos demais, prezada monarca. Assunto de maior valor é o que não falta. Os belos peitos de suas conterrâneas Lucy Pinder e Sammy Braddy. As aventuras de James Bond e o foguete da morte. Causos de solares mal-assombrados. Detetives lupa-e-cachimbo caminhando pelo fog. Passeios no London Eye. Ou o fenômeno Susan Boyle.
X) A fim de descontrair, perguntei qual era a semelhança entre Tom Selleck, Will Nogueira, professor Girafales, Super Mario, Hercule Poirot, Manuel Zelaya e Betty Friedan. "Torcem para o Manchester United?", chutou a soberana. "Boa tentativa!", menti. Eu disse a resposta e, após o natural delay feminino para compreensão de anedotas, ela começou a gargalhar de maneira nem um pouquinho britânica. Por causa de um chiste meia-boca? Só depois de minutos, ela quase sem ar e apontando para minha mão direita, percebi. Eu segurava, com o dedo mindinho levantado, uma xícara de café. Choque de civilizações. God save the Queen.
I) Amarrotado, arfante e fedendo a cigarro alheio, tive que improvisar para me recompor. Olha o decoro, meu filho. A Real Senhora cumprimentou-me com sua perene elegância e imponência de leão rampante de brasão. Dirigimo-nos para uma mesa. Um luxuoso desjejum nos esperava, utensílios gravitavam em torno de um bule imperial. A regra de ouro recomendava evitar obviedades do tipo elogiar a porcelana, o chapéu, o vestido de chiffon, o colar de ametista ou a intervenção cirúrgica que extraiu uma papada.
II) Apostei em amenidades. Como foi a última caça a raposa ou partida de whist, se ela ainda se destacava no críquete, na equitação, na esgrima. Baseado na experiência de tanto ler blogs de mequetrefes que acham estiloso poluir as frases com silly English, desviei para uma egotrip e confessei o que sofri, em meus dias de escrevinhador neófito, com a síndrome de Agepê ("Faz de conta que sou o primeiro"). Suava, teclava com violência e pensava, A-ha, enfim vou produzir o texto definitivo sobre ______. A tentação de ser original e desbravador. Nunca usei, porém, sintaxe de bêbado irlandês.
III) Falando nisso, informei-lha que em Pindorama - alcunhada de País do Futuro por um suicida estrangeiro - agora qualquer indigente oriundo de comunidades ribeirinhas ou classe-média com fumos de literato tem um blog. Dei dicas de uns bem ruins e constrangedores que freqüento por diversão. Ela riu quando descrevi uns tão sisudos e esforçados, mantidos por estudantes de Comunicação Social que confundem Lady Di com Lady Kate, musselina com Messalina, Elevador Lacerda com Genival Lacerda. E existem também os que crêem abafar na ironia ferina terminando sentenças com ahahahaus, rsrsrs, kkkkk ou !!!!!. O esquema é relaxar e mandar a turma dos seqüelados cheirar amianto ou plantar batata no Camboja. Ela, apreciadora das gaiatices da revista Punch, entendeu-me perfeitamente. Ser piadista de salão é nossa meta, isso sim.
IV) Citei a terrinha e ela recordou a ocasião da foto ao lado do presidente, o Rei Momo de Garanhuns. Não espalhem, ela me confidenciou que ele exalava um bodum de casca de mexerica. Expliquei que se tratava de um dos orgulhos nacionais, o miasma característico das camadas populares e dos camaradas populistas. Aliás, ela demonstrou guardar referências peculiares da nação-pandeiro. E tome-lhe comentar os quadros de Rugendas e do Debret, Hans Staden, Sir Pelé, biocombustível, licor de jenipapo, fubá, cacique Raoni com o Sting, anaconda, ipê, D. Pedro I, o Gurgel, Ronald Biggs, o filme The Boys From Brazil. À menção de bossa nova, engasguei-me de escárnio com uma torrada.
V) E lembrei uma das visitas dos Sex Pistols à pátria do carnaval. É, aquela bandinha, uma das piores da galáxia e que lançou em 1977 um clássico do punk rock em homenagem à querida Liz. Foi em 1996, eles velhotes e enrugados, como se esculpidos em Vitamilho com queijo parmesão, tirando onda do fato de que estavam ali apenas para garantir uns shillings para a aposentadoria. Como diria o finado jornalista sem diploma, ex-trotskista de bergère e tupiniquim exilado entusiasta da Margaret Thatcher: Waaaal.
VI) Fatal e infelizmente, veio à tona a política, com sua presença amálgama de verdureiro e graduando de Administração de Empresas. Veja, ilustríssima, sei que os bretões já passaram por maus pedaços. Guerra dos Cem Anos, Guerra das Falkland (contra os súditos do Carlos Gardel). Henrique VIII. Os telhados aterrorizados pelos vôos de V-2. A série de atentados em 2005. O incidente com o Jean Charles. As atuais invasões bárbaras. Cada um no seu calvário. Lá debaixo do Equador, a praga da moda, além da gripe H1N1, é o vulgar e muar bolivarianismo, xodó dos marxicólatras (marxistas festivos da escola Xico Sá). Imagine uma versão sul-americana das vuvuzelas. Sinônimo de primitivismo e de barulheira paleolítica. Much ado about nothing. Que vontade de arremessar uma máquina de refrigerantes na cabeça desse povo.
VII) E por falar em gentalha, desculpe, mas que negócio podre que armaram nos ônibus aqui, hein? A cambada da Igreja Universal do Reino de Sagan-Dawkins não tem senso de ridículo. Os que acreditam em elétrons continuam se considerando superiores aos que acreditam em anjos.
VIII) A egrégia dama fuzila: e você é reacionário, anarquista, esquerdista, maratonista, trapezista ou o quê? Essa é a charada de 1 milhão de libras. Sou de investir no que me soa sensato e de preservar o que funciona. Observe que, em outras épocas, os vendilhões do templo é que eram o status quo, em oposição ao subversivo Cristianismo. Escravidão era o cerne de um montão de atividades e de ambições, até aparecer o [michaelmoore]famigerado[/michaelmoore] capitalismo 2.0 com o canto de sereia de expandir mercados consumidores. Se sob as cores da Union Jack costume significa liberalismo e Lord Acton, advirto que na província de onde venho, atrasada e de alarmantes temperaturas, tal conceito degenera no grude indigesto que inclui coronelismo, nanny state e voto de cabresto. Conservadorismo tropicaliente. A longevidade e a difusão de uma prática nada provam. E, sim, às vezes é difícil-de-doer separar alhos e bugalhos de Barbalhos. O que merece permanecer, o que precisa ser reformado.
IX) Esses temas são chatos demais, prezada monarca. Assunto de maior valor é o que não falta. Os belos peitos de suas conterrâneas Lucy Pinder e Sammy Braddy. As aventuras de James Bond e o foguete da morte. Causos de solares mal-assombrados. Detetives lupa-e-cachimbo caminhando pelo fog. Passeios no London Eye. Ou o fenômeno Susan Boyle.
X) A fim de descontrair, perguntei qual era a semelhança entre Tom Selleck, Will Nogueira, professor Girafales, Super Mario, Hercule Poirot, Manuel Zelaya e Betty Friedan. "Torcem para o Manchester United?", chutou a soberana. "Boa tentativa!", menti. Eu disse a resposta e, após o natural delay feminino para compreensão de anedotas, ela começou a gargalhar de maneira nem um pouquinho britânica. Por causa de um chiste meia-boca? Só depois de minutos, ela quase sem ar e apontando para minha mão direita, percebi. Eu segurava, com o dedo mindinho levantado, uma xícara de café. Choque de civilizações. God save the Queen.
domingo, 27 de setembro de 2009
Naquela terça-feira
11 de setembro de 2001. Presença De Anita animara
algumas noites de agosto. Em maio, fora lançado Crazy Taxi 2 para
Dreamcast. Acordei cedo. Iria à 10ª Região Militar, na Avenida dos
Expedicionários, tirar a carteira de reservista. Naquela manhã de
terça-feira, caía um sereno aborrecidamente irregular que orvalhava as
janelas do ônibus. No rádio, Marlon & Maicon, Destiny's Child, Os
Travessos, Jennifer Lopez, Dido.
Cheguei. Estavam lá o desajustado e tatuado mascando um chiclete imaginário, o gordo de Botero com as orelhas cheias de brincos, o provável colecionador de camisas gola pólo listradas, o rasta de dreadlocks e coberto com as cores da Jamaica, o magrelo que detestava exercício físico, ahn, esse era eu.
Longa fila. Incrível. Um relógio de parede marcava 10:35 quando alcancei o guichê. A atendente era uma senhora com rosto de cachorro pequinês. Problemas com minha documentação, explicou ela. Eu teria que retornar no dia seguinte. O motivo da complicação burocrática, fiz a mim mesmo o favor de esquecer, usando o método Dilmão Estica-Lattes Rousseff de jogo da desmemória. Resolvi dar uma passeada pelo Centro, nas lojas de discos antigos.
Voltei para casa e já era de tarde. Deitado no sofá, o saudoso tio Francisco assistia, sem entender, a um filme dos doidões Cheech & Chong. Ele exclamou, com voz de enfisema: "Menino, olha a burrice do SBT. Espia só o jeito que datilografaram 'King Kong' na tela." Na cozinha, encarei o fogão e preparei uma gororoba para almoço. Guisado de camurupim, feijão, arroz com pirão, trapos de alface e ki-suco de tangerina.
Encerrada a refeição, subi para meu quarto. Liguei a velhusca TV meio detonada, que eu ganhara ao consertá-la à custa de porrada depois de especialistas terem-na desenganado. Emissora local, debate esportivo. Tom Barros dizia: "... é a máfia dos cartolas. A ação deles é nociva como a presepada que aconteceu agora há pouco nos Estadozunido." Que presepada? Zapeei os canais. Não demorou para que inteirassem o atrasado aqui do ocorrido. Plantões de notícias faziam a farra. Repepetitidas à exaustão as clássicas cenas dos aviões sequestrados chocando-se com as duas torres. E correria, gritaria, sirenes, chamadas telefônicas registrando dilacerantes minutos finais, uma fumaceira hedionda, uns mais desesperados pulando dos edifícios. Uma sucessão de espantos até o desmoronamento das colossais estruturas, saturando de amianto os quarteirões. Cerca de 3.000 vidas obliteradas. Nova York e seu momento de Beirute.
Sejamos francos. Pertenço a uma geração bombardeada (epa) por petardos do gênero Máquina Mortífera e Duro De Matar. Minha inquietação maior sobre a tragédia era decidir qual seria a trilha sonora perfeita. O Monte Calvo, de Mussorgsky? The World Keeps Turning, do Napalm Death? Difícil separar das ficções que tanto consumíamos. E sempre achei que Empire State colocava WTC no bolso em matéria de representatividade. Os delinqüentes suicidas miraram outros alvos emblemáticos, inclusive: Pentágono e Capitólio. No topo da lista de desconfiança, nervosinhos filhos de Maomé que levavam às últimas conseqüências suas leituras do Corão. E veio a atmosfera de paranóia. O povo da torta de maçã assustado, temendo que surgissem, de dentro dos armários, monstros com explosivos colados ao corpo ou brandindo cimitarras, Kalashnikovs e bandeirolas com o crescente islâmico. Boatos macarthistas de que dali em diante, em qualquer lugar do planeta, se um falasse mal de artigo inapelavelmente de quinta categoria mas made in USA - digamos, teologia da prosperidade -, proferida a blasfêmia, abrir-se-ia sob o infeliz um alçapão conduzindo o suspeito a uma sala de interrogatório na Base de Guantánamo.
Uma referência que carrego dessa época é um sentimento de "Tomaram, papudos?" e "Bem feito! Parem de ser tão arrogantes." A gente bronzeada mostrando seu valor. Os galegos comedores de hambúrguer e de marshmallow mereciam aquilo. Atire o primeiro Qassam quem não teve professor que divulgava o evangelho antiimperialista. Todos sabíamos das histórias de falcões ianques que assoviavam alegremente Star & Stripes Forever ou o tema de Bonanza enquanto espetavam criancinhas árabes ou indígenas na baioneta na frente dos pais delas apenas por diversão. E desenho do Uncle Sam devorando o globo terrestre em panfletos da UNE. Virou moda tecer comparações com o ataque nuclear ao Japão. Intervenções brutais e arbitrárias ao redor do mundo, insistiam. Semearam vento e estão colhendo tempestade, mugiu um poeta popular cearense. Acusaram a Al-Qaeda, organização do endinheirado saudita Osama bin Laden. Corvo que deu suas bicadas iniciais durante a luta dos mujahideens, apoiados pela CIA, contra a União Soviética. Eu via-o, no esconderijo subterrâneo, o pinel entediado fumando narguilé e ouvindo El Arbi, do Khaled, no walkman amarelo. Cofiava a hirsuta barba, a qual abrigava uma colônia de fungos. Preocupado em sacar do turbante uma maneira de driblar o insuportável marasmo que o assolava no montanhoso Afeganistão, entre burcas, papoulas e camelos. Declarou guerra ao lado de cá do Meridiano de Greenwich. Receptividade encontraria.
Lembro também os elogios do Carlos Chacal à insólita agressão. O músico Stockhausen atribuindo ao atentado a classificação de obra de arte. A proliferação de teorias conspiratórias. Profecia bíblica em Sofonias 1:16. Arcano 16 do Tarô. Em países esdrúxulos, os flagrantes - fake, comentavam - de seres amarronzados que comemoravam nas ruas a façanha. A Astrid Fontenelle apresentando um fofocário ao vivo e caprichando na indignação à la redação de pré-vestibular. Oportunistas antologias jornalísticas do terror, de Mão Negra a ETA, de Menachem Begin a Timothy McVeigh. Ivan Barbosa, um dos brasileiros que morreram nos escombros. A indenização bilionária de Larry Silverstein. O pixaim reclamão ex-vocalista do Rage Against The Machine arremessando no colo da realpolitik americana uma fatia da culpa pelo desastre. As posteriores cartas com antraz. O álbum The Rising, do Bruce Springsteen. A estréia do 24 Horas. Uma entrevista com o sujeito cujo sobrenome os blogueiros sérios nunca digitam certo: Hobsbawm (terminando com M de mariola e não com N de nambiquara). Uma dupla de pretos, que se descrevia como radical marxist rappers, encrencando-se com o FBI por causa de uma capa de CD. A abertura do The Sopranos cortada na parte em que os finados prédios gêmeos apareciam. O temor de ser integrado ao Exército às portas de um possível conflito generalizado em combate ao terrorismo sem fronteiras. Que nada. A reação bélica restringiu-se, em tropas mil, à pátria armada do Caçador de Pipas. E meu certificado de dispensa de incorporação foi carimbado com a data 12 SET 2001.
Cheguei. Estavam lá o desajustado e tatuado mascando um chiclete imaginário, o gordo de Botero com as orelhas cheias de brincos, o provável colecionador de camisas gola pólo listradas, o rasta de dreadlocks e coberto com as cores da Jamaica, o magrelo que detestava exercício físico, ahn, esse era eu.
Longa fila. Incrível. Um relógio de parede marcava 10:35 quando alcancei o guichê. A atendente era uma senhora com rosto de cachorro pequinês. Problemas com minha documentação, explicou ela. Eu teria que retornar no dia seguinte. O motivo da complicação burocrática, fiz a mim mesmo o favor de esquecer, usando o método Dilmão Estica-Lattes Rousseff de jogo da desmemória. Resolvi dar uma passeada pelo Centro, nas lojas de discos antigos.
Voltei para casa e já era de tarde. Deitado no sofá, o saudoso tio Francisco assistia, sem entender, a um filme dos doidões Cheech & Chong. Ele exclamou, com voz de enfisema: "Menino, olha a burrice do SBT. Espia só o jeito que datilografaram 'King Kong' na tela." Na cozinha, encarei o fogão e preparei uma gororoba para almoço. Guisado de camurupim, feijão, arroz com pirão, trapos de alface e ki-suco de tangerina.
Encerrada a refeição, subi para meu quarto. Liguei a velhusca TV meio detonada, que eu ganhara ao consertá-la à custa de porrada depois de especialistas terem-na desenganado. Emissora local, debate esportivo. Tom Barros dizia: "... é a máfia dos cartolas. A ação deles é nociva como a presepada que aconteceu agora há pouco nos Estadozunido." Que presepada? Zapeei os canais. Não demorou para que inteirassem o atrasado aqui do ocorrido. Plantões de notícias faziam a farra. Repepetitidas à exaustão as clássicas cenas dos aviões sequestrados chocando-se com as duas torres. E correria, gritaria, sirenes, chamadas telefônicas registrando dilacerantes minutos finais, uma fumaceira hedionda, uns mais desesperados pulando dos edifícios. Uma sucessão de espantos até o desmoronamento das colossais estruturas, saturando de amianto os quarteirões. Cerca de 3.000 vidas obliteradas. Nova York e seu momento de Beirute.
Sejamos francos. Pertenço a uma geração bombardeada (epa) por petardos do gênero Máquina Mortífera e Duro De Matar. Minha inquietação maior sobre a tragédia era decidir qual seria a trilha sonora perfeita. O Monte Calvo, de Mussorgsky? The World Keeps Turning, do Napalm Death? Difícil separar das ficções que tanto consumíamos. E sempre achei que Empire State colocava WTC no bolso em matéria de representatividade. Os delinqüentes suicidas miraram outros alvos emblemáticos, inclusive: Pentágono e Capitólio. No topo da lista de desconfiança, nervosinhos filhos de Maomé que levavam às últimas conseqüências suas leituras do Corão. E veio a atmosfera de paranóia. O povo da torta de maçã assustado, temendo que surgissem, de dentro dos armários, monstros com explosivos colados ao corpo ou brandindo cimitarras, Kalashnikovs e bandeirolas com o crescente islâmico. Boatos macarthistas de que dali em diante, em qualquer lugar do planeta, se um falasse mal de artigo inapelavelmente de quinta categoria mas made in USA - digamos, teologia da prosperidade -, proferida a blasfêmia, abrir-se-ia sob o infeliz um alçapão conduzindo o suspeito a uma sala de interrogatório na Base de Guantánamo.
Uma referência que carrego dessa época é um sentimento de "Tomaram, papudos?" e "Bem feito! Parem de ser tão arrogantes." A gente bronzeada mostrando seu valor. Os galegos comedores de hambúrguer e de marshmallow mereciam aquilo. Atire o primeiro Qassam quem não teve professor que divulgava o evangelho antiimperialista. Todos sabíamos das histórias de falcões ianques que assoviavam alegremente Star & Stripes Forever ou o tema de Bonanza enquanto espetavam criancinhas árabes ou indígenas na baioneta na frente dos pais delas apenas por diversão. E desenho do Uncle Sam devorando o globo terrestre em panfletos da UNE. Virou moda tecer comparações com o ataque nuclear ao Japão. Intervenções brutais e arbitrárias ao redor do mundo, insistiam. Semearam vento e estão colhendo tempestade, mugiu um poeta popular cearense. Acusaram a Al-Qaeda, organização do endinheirado saudita Osama bin Laden. Corvo que deu suas bicadas iniciais durante a luta dos mujahideens, apoiados pela CIA, contra a União Soviética. Eu via-o, no esconderijo subterrâneo, o pinel entediado fumando narguilé e ouvindo El Arbi, do Khaled, no walkman amarelo. Cofiava a hirsuta barba, a qual abrigava uma colônia de fungos. Preocupado em sacar do turbante uma maneira de driblar o insuportável marasmo que o assolava no montanhoso Afeganistão, entre burcas, papoulas e camelos. Declarou guerra ao lado de cá do Meridiano de Greenwich. Receptividade encontraria.
Lembro também os elogios do Carlos Chacal à insólita agressão. O músico Stockhausen atribuindo ao atentado a classificação de obra de arte. A proliferação de teorias conspiratórias. Profecia bíblica em Sofonias 1:16. Arcano 16 do Tarô. Em países esdrúxulos, os flagrantes - fake, comentavam - de seres amarronzados que comemoravam nas ruas a façanha. A Astrid Fontenelle apresentando um fofocário ao vivo e caprichando na indignação à la redação de pré-vestibular. Oportunistas antologias jornalísticas do terror, de Mão Negra a ETA, de Menachem Begin a Timothy McVeigh. Ivan Barbosa, um dos brasileiros que morreram nos escombros. A indenização bilionária de Larry Silverstein. O pixaim reclamão ex-vocalista do Rage Against The Machine arremessando no colo da realpolitik americana uma fatia da culpa pelo desastre. As posteriores cartas com antraz. O álbum The Rising, do Bruce Springsteen. A estréia do 24 Horas. Uma entrevista com o sujeito cujo sobrenome os blogueiros sérios nunca digitam certo: Hobsbawm (terminando com M de mariola e não com N de nambiquara). Uma dupla de pretos, que se descrevia como radical marxist rappers, encrencando-se com o FBI por causa de uma capa de CD. A abertura do The Sopranos cortada na parte em que os finados prédios gêmeos apareciam. O temor de ser integrado ao Exército às portas de um possível conflito generalizado em combate ao terrorismo sem fronteiras. Que nada. A reação bélica restringiu-se, em tropas mil, à pátria armada do Caçador de Pipas. E meu certificado de dispensa de incorporação foi carimbado com a data 12 SET 2001.
domingo, 30 de agosto de 2009
O Cafa
Há um colega meu que é o que se pode chamar de rematado cafajeste. Que
Don Juan, Casanova, Seu Quequé, Vadinho, Jece Valadão que nada, ele
sim que é O Cafa.
Para analogia didática e botequinesca de como é a relação do dito cujo com as fêmeas, imaginem um usuário-padrão de palitos de dente. Pega um, usufrui, descarta, pega outro, usufrui, descarta, pega dois juntos, usufrui... Sem esquecer os desagradáveis extras: em local público, emitindo ruídos e com a mão em concha em frente à boca.
Um dia, porém, como se resultado de uma roleta russa, ele inventou de apostar em, er, algo sério. E que horror (terrir?) essas expressõezinhas - algo sério, alma gêmea, cara-metade, azaração, pintou um clima -, não acham? À meia-noite levarei sua breguice. Escusado dizer que, paralelo e não obstante a isso, a rotina de affaires do predador continuaria. Arranjou uma moça cobaia, etc etc.
Um dia, porém [2], a amada-para-apresentar-à-mamãe descobre as parcerias e consórcios de seu rapaz. Talvez com a ajuda de uma dessas revistas de mulherzinha, numa reportagem de 4 páginas intitulada Dicas para saber se ele trai você. "The perfect sky is torn", reza um trecho da bonitinha Torn, antiga canção hit da bonitona australiana Natalie Imbruglia.
Ele, artista das fugas, mestre das desculpas esfarrapadas, que sempre farejava o momento certo para aplicar a saída pela esquerda, profissional que jamais havia experimentado o que é ser capturado, perdeu sua invencibilidade de Carmen Sandiego logo para uma qualquer que escrevia poesia (?) em agendinha da Ivete Sangalo. Ela contou para amigas que marcaria uma conversa com o saltador olímpico de cerca e daria por encerrado o romance. Mas fuxico é brasa que se espalha. Rumores da crise chegaram a conhecidos do casal. Alertaram o sujeito sobre o teor do colóquio. Ele foi lá com a resignação de um condenado preparando o pescoço para o cepo. Daí, não sei os detalhes, parece é que a garota, novata na área de traições, não soltou uma recriminação ou ofensa sequer. Apenas caiu num choro inconsolável, quase pluvial, paradoxalmente conformado e desesperado, entrecortado por inócuos "por quê?" e "como?". Não é que o femeeiro, de longa data e de crachá, testemunha oscular da escória, sentiu-se um traste?
Constrangimento de iniciante. Explico. Sacam os fãs incondicionais de guerra? Alguns deles não suportam olhar para um botão de sangue que brota do dedo em acidente durante trabalho manual com estilete. Como eles não se comportariam ao lidar com corpos desmembrados por obuses, crianças 40% estraçalhadas por granadas e fileiras de bárbaros desfigurados por tiros de M16? Bem melhor ser entusiasta bélico (seja o conflito justo ou não) sentado no sofá e assistindo à Dança dos Famosos. Tentem não enxergar ironia aqui. Da mesma maneira, eu, apreciador de churrascos, não preciso me envolver no cruento cotidiano de um matadouro. Pois o atleta da testosterona, fanfarrão quando o assunto era sua desenvoltura multitarefa, além das táticas para manter casos simultâneos e ocultar delitos eróticos, ele não passava de um fuleiro estrategista de gabinete. Nunca antes na história desse país ele fora posto à prova no front das infidelidades e suas conseqüências. E ficou mal, vejam só. Ferido gravemente. Sem companheiros de batalha que lhe trouxessem a dobradinha maca & cigarro. As enganadas ainda não tinham a carga dramática de uma vítima, para ele eram meras abstrações, que nem as estatísticas da clássica frase erroneamente atribuída ao bigodón Stalin. Tive o azar (roleta russa [2]?) de ser escolhido por ele para bancar o homem-divã. E foi assim, em forma de desabafo, que ouvi o enredo.
Gato escaldado, dali em diante tornou-se mais precavido e menos descarado em suas aventuras poligâmicas. Provavelmente, não tanto por querer respeitar a turma feminina quanto por evitar reincidir na condição de estelionatário de consciência pesada pós-flagra. Embora eu suspeite que um biltre consiga acostumar-se até ao fardo da sensação ruim, claramente rumando para a insensibilidade pura e simples. Ele já tem uma nova e apaixonada-para-toda-a-vida namorada oficial.
Para analogia didática e botequinesca de como é a relação do dito cujo com as fêmeas, imaginem um usuário-padrão de palitos de dente. Pega um, usufrui, descarta, pega outro, usufrui, descarta, pega dois juntos, usufrui... Sem esquecer os desagradáveis extras: em local público, emitindo ruídos e com a mão em concha em frente à boca.
Um dia, porém, como se resultado de uma roleta russa, ele inventou de apostar em, er, algo sério. E que horror (terrir?) essas expressõezinhas - algo sério, alma gêmea, cara-metade, azaração, pintou um clima -, não acham? À meia-noite levarei sua breguice. Escusado dizer que, paralelo e não obstante a isso, a rotina de affaires do predador continuaria. Arranjou uma moça cobaia, etc etc.
Um dia, porém [2], a amada-para-apresentar-à-mamãe descobre as parcerias e consórcios de seu rapaz. Talvez com a ajuda de uma dessas revistas de mulherzinha, numa reportagem de 4 páginas intitulada Dicas para saber se ele trai você. "The perfect sky is torn", reza um trecho da bonitinha Torn, antiga canção hit da bonitona australiana Natalie Imbruglia.
Ele, artista das fugas, mestre das desculpas esfarrapadas, que sempre farejava o momento certo para aplicar a saída pela esquerda, profissional que jamais havia experimentado o que é ser capturado, perdeu sua invencibilidade de Carmen Sandiego logo para uma qualquer que escrevia poesia (?) em agendinha da Ivete Sangalo. Ela contou para amigas que marcaria uma conversa com o saltador olímpico de cerca e daria por encerrado o romance. Mas fuxico é brasa que se espalha. Rumores da crise chegaram a conhecidos do casal. Alertaram o sujeito sobre o teor do colóquio. Ele foi lá com a resignação de um condenado preparando o pescoço para o cepo. Daí, não sei os detalhes, parece é que a garota, novata na área de traições, não soltou uma recriminação ou ofensa sequer. Apenas caiu num choro inconsolável, quase pluvial, paradoxalmente conformado e desesperado, entrecortado por inócuos "por quê?" e "como?". Não é que o femeeiro, de longa data e de crachá, testemunha oscular da escória, sentiu-se um traste?
Constrangimento de iniciante. Explico. Sacam os fãs incondicionais de guerra? Alguns deles não suportam olhar para um botão de sangue que brota do dedo em acidente durante trabalho manual com estilete. Como eles não se comportariam ao lidar com corpos desmembrados por obuses, crianças 40% estraçalhadas por granadas e fileiras de bárbaros desfigurados por tiros de M16? Bem melhor ser entusiasta bélico (seja o conflito justo ou não) sentado no sofá e assistindo à Dança dos Famosos. Tentem não enxergar ironia aqui. Da mesma maneira, eu, apreciador de churrascos, não preciso me envolver no cruento cotidiano de um matadouro. Pois o atleta da testosterona, fanfarrão quando o assunto era sua desenvoltura multitarefa, além das táticas para manter casos simultâneos e ocultar delitos eróticos, ele não passava de um fuleiro estrategista de gabinete. Nunca antes na história desse país ele fora posto à prova no front das infidelidades e suas conseqüências. E ficou mal, vejam só. Ferido gravemente. Sem companheiros de batalha que lhe trouxessem a dobradinha maca & cigarro. As enganadas ainda não tinham a carga dramática de uma vítima, para ele eram meras abstrações, que nem as estatísticas da clássica frase erroneamente atribuída ao bigodón Stalin. Tive o azar (roleta russa [2]?) de ser escolhido por ele para bancar o homem-divã. E foi assim, em forma de desabafo, que ouvi o enredo.
Gato escaldado, dali em diante tornou-se mais precavido e menos descarado em suas aventuras poligâmicas. Provavelmente, não tanto por querer respeitar a turma feminina quanto por evitar reincidir na condição de estelionatário de consciência pesada pós-flagra. Embora eu suspeite que um biltre consiga acostumar-se até ao fardo da sensação ruim, claramente rumando para a insensibilidade pura e simples. Ele já tem uma nova e apaixonada-para-toda-a-vida namorada oficial.
sexta-feira, 31 de julho de 2009
Terra Nostra
Foi em um distante julho. Tive um problema na matrícula e precisei ir ao Pici em mês de trégua universitária.
O coletivo linha 389 conduziu-me ao território federal. Vi a lagoa e sua cômica imundície. Da janela do ônibus, percebi uma véia maltrapilha a ensaboar roupa na calçada em frente a um prédio da Engenharia Civil. Dada a gravidade do fenômeno, preferi ignorar.
Ao descer na parada, notei esquisitas e esfarrapadas turmas que passeavam. Comecei a esperar a trilha sonora com cantiga de lavadeira de novela da Globo rodada na região cacaueira da Bahia, ou que a qualquer momento surgisse, com saltos de ginasta, o aéreo vocalista do grupo Cordel do Fogo Encantado recitando Waly Salomão. Imaginei que logo veria o Manu Chao no maconhódromo das mangueiras, ele a escrever a letra de uma cumbia sobre o Fórum Econômico de Davos.
No galho de um sapotizeiro, um gigantesco papagaio palrava excertos do carnavalesco livro Cem Anos De Solidão. Da entrada de uma unidade didática da Química Industrial, os incríveis Nerso da Capitinga e Amácio Mazzaropi gritaram: "Vorta, lôro!" Perguntei: "O que é tudo isso?" A tagarela ave respondeu: "São ELES!"
Captei. Andei por uns blocos e era um tal de redes, esteiras, tendas de lona, fogareiros improvisados, odor de cachaça. Na porta do auditório do Centro de Tecnologia, anúncio de uma mostra de filmes. Só crássicos. A Greve, do Eisenstein; Vidas Secas, do Pereira dos Santos; Viva Zapata!, do Kazan; Queimada, do Pontecorvo; Memórias Do Subdesenvolvimento, do Gutiérrez Alea.
Eram eles. Matutos. Arigós. Tabaréis. Hillbillies. Família Buscapé. Rei do Gado, Jackson Antunes, Patrícia Pillar. Capa da Playboy de outubro de 1997. Os queridinhos da CNBB. Vermelhou no curral. MST. Soube depois que era tradicional aquela invasão ocupação. Colônia de férias. Zeladores, seguranças, pesquisadores, bolsistas e geral não reparavam. Era como uma visita de gansos migratórios.
Na coordenação, a secretária defensora de animais, com a simpatia de um prego enferrujado transpirando tétano, balbuciou que o sistema, para variar, estava fora do ar. Uma rima, e longe de ser uma solução.
Decidi aguardar. Fui jogar SuperTux no LEC, um dos laboratórios de informática.
Meu desempenho ia bem, obrigado. De repente, a meu lado esquerdo, materializou-se o Bob Relative, com sua voz de marreco e corpo de Jotalhão. O eterno insurgente caricato, o teleguiado #1, o mamulengo-mor, o capo di tutti i capi da série sub-25 - poderia ser QI, mas é idade - do PSOL no curso de Computação. E PSOL parece nome de doença, não acham? "Lamento profundamente. O senhor foi diagnosticado com psolíase. A única coisa a fazer é tocar um tango argentino. E também dá tempo de preparar um Nissin Miojo." Ele me mandou um tapinha cafona no ombro e disse: "Chapa, tu libera a máquina aí? Vai ter uma aula prática de software livre pro povo do Movimento, beleza?" Ok, tovarich Bob. Concordo que aprender a lidar com texturas e vetores no Gimp será de grande importância para badernas no Pontal do Paranapanema, pilhagens de adegas, barricadas em sede do INCRA, manifestações com máscaras anarquistas e depredação de instalações malvadas da Monsanto.
Minutos voaram, o NPD colaborou e resolvi minha complicação. Curioso, corri a espiar flagrantes do inusitado cenário de varizes abertas da América Latina. Canavial de paixões revolucionárias. Já assistiram a O Ataque Dos Vermes Malditos, sucesso das tardes do SBT? Monstrengos relacionados ao solo.
Na cantina do departamento de Física, aglomerava-se uma cambada jovem. Alguns com a fatal camiseta escarlate. Todos ostentando um visual sertanejo mais epic fail que as sobrancelhas de Leonid Brejnev. Receei que me passassem piolhos. Era uma rodinha de violão. Acústico M(S)TV jeca exalando subversão fashion da roça. Avizinhei-me. O encardido seresteiro e o coral de posseiros arranhavam Namoradinha De Um Amigo Meu, do Roberto Carlos. Dichter und bauer. Poeta e camponês. Que brutal ironia ouvi-los ganir o trecho "O que é dos outros não se deve ter". É a grei dos vestidos rotos de chita, dos chapéus de palha, da enxada, das puídas alpargatas de couro, dos calcanhares rachados, da iniciação sexual com caprinos, ovinos, eqüinos, suínos e bovinos. Os netos abirobados do Urtigão. Os primos debilóides e rebelóides do Chico Bento. Os filhotes degenerados de John Lackland. Aposto um fio do bigode do José Bové como havia caboclo ali que, de agricultura mesmo, conheceu apenas, quando era criança pequena lá em Barbacena, a tarefinha do colégio de cultivar o pezinho de feijão no algodão dentro da vasilha.
Mudaram de faixa. Acordes de um brega do Reginaldo Rossi. Animado pelo espírito de fuleiragem que imperava, cogitei pedir ao menestrel que executasse a melô do Olavo de Carvalho. Seria linchado à base de foice afiada, isso sim. No clima de descontraídas vaias, inevitáveis onde quer que apareça uma sessão de música de corno, empolguei-me e disparei uns TOCA RAUL em meio à barulheira. Estranhamente divertido. A parte que me coube deste latifúndio de insensatez.
N'As Vinhas Da Ira pelo menos existiam os caipiras falidos pés-de-poeira sem eira nem beira que, enquanto descansavam da árdua labuta de procurar um Eldorado, gostavam era de dançar Turkey In The Straw e Oh! Susanna com a rabeca e o banjo dominando. Em vez de flertar com estelionato rural.
Um dia eles foram embora, brincar de acampamento alhures. Não me consta que durante a estada dos capiais tenha ocorrido registro de agressividade ou do costumeiro vandalismo. Reza a lenda que uma figura do alto comando encontrava-se na pracinha que fica perto de uma das saídas do campus e teve uma epifania. No playground, garotinhos burgueses berravam que o velho McDonald tinha um sítio, ia-ia-ô. A liderança escutou e rapidamente transmitiu aos companheiros que era hora de partir e atacar a filial de lanchonete multinacional mais próxima, a fim de apurar a informação. Brilha muito na reforma agrária.
O coletivo linha 389 conduziu-me ao território federal. Vi a lagoa e sua cômica imundície. Da janela do ônibus, percebi uma véia maltrapilha a ensaboar roupa na calçada em frente a um prédio da Engenharia Civil. Dada a gravidade do fenômeno, preferi ignorar.
Ao descer na parada, notei esquisitas e esfarrapadas turmas que passeavam. Comecei a esperar a trilha sonora com cantiga de lavadeira de novela da Globo rodada na região cacaueira da Bahia, ou que a qualquer momento surgisse, com saltos de ginasta, o aéreo vocalista do grupo Cordel do Fogo Encantado recitando Waly Salomão. Imaginei que logo veria o Manu Chao no maconhódromo das mangueiras, ele a escrever a letra de uma cumbia sobre o Fórum Econômico de Davos.
No galho de um sapotizeiro, um gigantesco papagaio palrava excertos do carnavalesco livro Cem Anos De Solidão. Da entrada de uma unidade didática da Química Industrial, os incríveis Nerso da Capitinga e Amácio Mazzaropi gritaram: "Vorta, lôro!" Perguntei: "O que é tudo isso?" A tagarela ave respondeu: "São ELES!"
Captei. Andei por uns blocos e era um tal de redes, esteiras, tendas de lona, fogareiros improvisados, odor de cachaça. Na porta do auditório do Centro de Tecnologia, anúncio de uma mostra de filmes. Só crássicos. A Greve, do Eisenstein; Vidas Secas, do Pereira dos Santos; Viva Zapata!, do Kazan; Queimada, do Pontecorvo; Memórias Do Subdesenvolvimento, do Gutiérrez Alea.
Eram eles. Matutos. Arigós. Tabaréis. Hillbillies. Família Buscapé. Rei do Gado, Jackson Antunes, Patrícia Pillar. Capa da Playboy de outubro de 1997. Os queridinhos da CNBB. Vermelhou no curral. MST. Soube depois que era tradicional aquela invasão ocupação. Colônia de férias. Zeladores, seguranças, pesquisadores, bolsistas e geral não reparavam. Era como uma visita de gansos migratórios.
Na coordenação, a secretária defensora de animais, com a simpatia de um prego enferrujado transpirando tétano, balbuciou que o sistema, para variar, estava fora do ar. Uma rima, e longe de ser uma solução.
Decidi aguardar. Fui jogar SuperTux no LEC, um dos laboratórios de informática.
Meu desempenho ia bem, obrigado. De repente, a meu lado esquerdo, materializou-se o Bob Relative, com sua voz de marreco e corpo de Jotalhão. O eterno insurgente caricato, o teleguiado #1, o mamulengo-mor, o capo di tutti i capi da série sub-25 - poderia ser QI, mas é idade - do PSOL no curso de Computação. E PSOL parece nome de doença, não acham? "Lamento profundamente. O senhor foi diagnosticado com psolíase. A única coisa a fazer é tocar um tango argentino. E também dá tempo de preparar um Nissin Miojo." Ele me mandou um tapinha cafona no ombro e disse: "Chapa, tu libera a máquina aí? Vai ter uma aula prática de software livre pro povo do Movimento, beleza?" Ok, tovarich Bob. Concordo que aprender a lidar com texturas e vetores no Gimp será de grande importância para badernas no Pontal do Paranapanema, pilhagens de adegas, barricadas em sede do INCRA, manifestações com máscaras anarquistas e depredação de instalações malvadas da Monsanto.
Minutos voaram, o NPD colaborou e resolvi minha complicação. Curioso, corri a espiar flagrantes do inusitado cenário de varizes abertas da América Latina. Canavial de paixões revolucionárias. Já assistiram a O Ataque Dos Vermes Malditos, sucesso das tardes do SBT? Monstrengos relacionados ao solo.
Na cantina do departamento de Física, aglomerava-se uma cambada jovem. Alguns com a fatal camiseta escarlate. Todos ostentando um visual sertanejo mais epic fail que as sobrancelhas de Leonid Brejnev. Receei que me passassem piolhos. Era uma rodinha de violão. Acústico M(S)TV jeca exalando subversão fashion da roça. Avizinhei-me. O encardido seresteiro e o coral de posseiros arranhavam Namoradinha De Um Amigo Meu, do Roberto Carlos. Dichter und bauer. Poeta e camponês. Que brutal ironia ouvi-los ganir o trecho "O que é dos outros não se deve ter". É a grei dos vestidos rotos de chita, dos chapéus de palha, da enxada, das puídas alpargatas de couro, dos calcanhares rachados, da iniciação sexual com caprinos, ovinos, eqüinos, suínos e bovinos. Os netos abirobados do Urtigão. Os primos debilóides e rebelóides do Chico Bento. Os filhotes degenerados de John Lackland. Aposto um fio do bigode do José Bové como havia caboclo ali que, de agricultura mesmo, conheceu apenas, quando era criança pequena lá em Barbacena, a tarefinha do colégio de cultivar o pezinho de feijão no algodão dentro da vasilha.
Mudaram de faixa. Acordes de um brega do Reginaldo Rossi. Animado pelo espírito de fuleiragem que imperava, cogitei pedir ao menestrel que executasse a melô do Olavo de Carvalho. Seria linchado à base de foice afiada, isso sim. No clima de descontraídas vaias, inevitáveis onde quer que apareça uma sessão de música de corno, empolguei-me e disparei uns TOCA RAUL em meio à barulheira. Estranhamente divertido. A parte que me coube deste latifúndio de insensatez.
N'As Vinhas Da Ira pelo menos existiam os caipiras falidos pés-de-poeira sem eira nem beira que, enquanto descansavam da árdua labuta de procurar um Eldorado, gostavam era de dançar Turkey In The Straw e Oh! Susanna com a rabeca e o banjo dominando. Em vez de flertar com estelionato rural.
Um dia eles foram embora, brincar de acampamento alhures. Não me consta que durante a estada dos capiais tenha ocorrido registro de agressividade ou do costumeiro vandalismo. Reza a lenda que uma figura do alto comando encontrava-se na pracinha que fica perto de uma das saídas do campus e teve uma epifania. No playground, garotinhos burgueses berravam que o velho McDonald tinha um sítio, ia-ia-ô. A liderança escutou e rapidamente transmitiu aos companheiros que era hora de partir e atacar a filial de lanchonete multinacional mais próxima, a fim de apurar a informação. Brilha muito na reforma agrária.
domingo, 28 de junho de 2009
Tratado da incorreção do intelecto
Imagino um intelectual que dançasse o moonwalk. Logo depois do aperto serelepe no saco, ele sai deslizando discósta
e pisa a travessa dentada de um ancinho. Claro que o cabo imediatamente
se ergue e bate com violência nele, provocando-lhe uma dor cavernosa ao
longo da coluna vertebral.
Gostaria de ver um intelectual ser desmoralizado, num típico final de episódio do Scooby-Doo. A mente brilhante devidamente amarrada com embira, Fred Jones vem, arranca a máscara de monstro do antagonista e diz: "Pensou que engabelaria a todos com esse papo de dialética hegeliana com abordagem deleuziana epistemológica hermenêutica cisgênero digressonormativa pilombêutica aplicada à novela A Usurpadora, hein?", no que o vilão retruca: "E eu teria conseguido, se não fossem vocês!"
Se vocês tiverem o azar de comparecer a um evento voltado para o público intelectual - festa estranha com gente esquisita -, testemunharão que lástima. Na entrada do prédio construído com financiamento da SBPC em parceria com o CNPq, diante do tapete vermelho, do toldo e do porteiro de libré, surge um fuscão preto. De dentro do exíguo veículo, saem 15 intelectuais, com ternos de tweed, óculos remendados com esparadrapo, gravatas-borboleta, pagers à cintura, canetas muitas canetas, bottons do Circo Garcia, cachimbos de fazer bolhinha de sabão, línguas-de-sogra, sapatos enormes, narizes postiços que buzinam e suspensórios. Um desavisado cumprimenta um dos recém-chegados e recebe um choque de consideráveis amperes. Um outro aproxima-se do Prof. Intélio, para elogiar-lhe a orquídea na lapela, e é atingido no olho esquerdo por uma rajada de soda cáustica. Quanto riso, quanta alegria, mais de mil intelectuais no salão. Arremesso de tortas, corrida de monociclos, girafinhas de bexiga, campeonato de pogo stick, revólveres que disparam uma bandeirinha na qual se lê **Bang!**. Um geômetra está tranqüilamente sorvendo um copo de suco de laranja e de repente nota uma aranha de plástico em um cubinho de gelo. Perto de uma suntuosa mesa de iguarias, ouve-se um "É pavê ou pacumê?". Uma orquestra executa, a sangue frio, sucessos de John Cage.
A seleção mirim de intelectuaizinhos, além de colecionar selos raros e brindes de Kinder Ovo, sofre bullying no colégio. Os que sobrevivem e não superam os traumas tornam-se franco-atiradores problemáticos ou vocalistas de bandas tipo Tediohead e Loser Manos.
Intelectuais apresentam programas soníferos e pretensamente descolados na TV Cultura, e cuja audiência é representada por um traço na aferição do IBOPE. Embora eu desconfie que o blog aqui, em termos de platéia, esteja na mesma situação.
Intelectuais adoram palpitar sobre filosofia, pintura, escultura, arquitetura, literatura, partitura, saracura e saravá, curupira e Carajás. Lembrem-se da clássica frase do ramo publicitário: "Não requer prática, tampouco habilidade."
Intelectuais mostrando sua biblioteca - os 10 mil volumes atrás dos quais eles tentam esconder a burrice e a insegurança - em casa para as visitas são iguais 1) aos adolescentes aloprados disputando quem tem o ding-a-ling maior; 2) ao povo de Orkut com fotos exibindo bíceps, tríceps e às vezes - os mais depravados - até fórceps.
Intelectuais, maçantes e previsíveis que são, vão falar que provavelmente a mulher do sujeito corneou-o com um(a) fã de Jacques Derrida, o que explicaria a suposta birra contra a categoria.
Quando intelectuais iniciam a costumeira torrente, análise de letra do Arrigo Barnabé, Museu Guggenhein, Bienal do Vazio, discotecagem acompanhada de declamação de T.S. Eliot, Escola de Frankfurt, teatro antiteatro de Beckett, fluxo de consciência, desconstrução, estética da incomunicabilidade e performance de nudez conceitual, é hora de tomar medidas drásticas.
Intelectuais são tão tapados e cabeça-de-macaúba que não sabem a diferença entre uma sátira e um lactobacilo vivo.
Gostaria de ver um intelectual ser desmoralizado, num típico final de episódio do Scooby-Doo. A mente brilhante devidamente amarrada com embira, Fred Jones vem, arranca a máscara de monstro do antagonista e diz: "Pensou que engabelaria a todos com esse papo de dialética hegeliana com abordagem deleuziana epistemológica hermenêutica cisgênero digressonormativa pilombêutica aplicada à novela A Usurpadora, hein?", no que o vilão retruca: "E eu teria conseguido, se não fossem vocês!"
Se vocês tiverem o azar de comparecer a um evento voltado para o público intelectual - festa estranha com gente esquisita -, testemunharão que lástima. Na entrada do prédio construído com financiamento da SBPC em parceria com o CNPq, diante do tapete vermelho, do toldo e do porteiro de libré, surge um fuscão preto. De dentro do exíguo veículo, saem 15 intelectuais, com ternos de tweed, óculos remendados com esparadrapo, gravatas-borboleta, pagers à cintura, canetas muitas canetas, bottons do Circo Garcia, cachimbos de fazer bolhinha de sabão, línguas-de-sogra, sapatos enormes, narizes postiços que buzinam e suspensórios. Um desavisado cumprimenta um dos recém-chegados e recebe um choque de consideráveis amperes. Um outro aproxima-se do Prof. Intélio, para elogiar-lhe a orquídea na lapela, e é atingido no olho esquerdo por uma rajada de soda cáustica. Quanto riso, quanta alegria, mais de mil intelectuais no salão. Arremesso de tortas, corrida de monociclos, girafinhas de bexiga, campeonato de pogo stick, revólveres que disparam uma bandeirinha na qual se lê **Bang!**. Um geômetra está tranqüilamente sorvendo um copo de suco de laranja e de repente nota uma aranha de plástico em um cubinho de gelo. Perto de uma suntuosa mesa de iguarias, ouve-se um "É pavê ou pacumê?". Uma orquestra executa, a sangue frio, sucessos de John Cage.
A seleção mirim de intelectuaizinhos, além de colecionar selos raros e brindes de Kinder Ovo, sofre bullying no colégio. Os que sobrevivem e não superam os traumas tornam-se franco-atiradores problemáticos ou vocalistas de bandas tipo Tediohead e Loser Manos.
Intelectuais apresentam programas soníferos e pretensamente descolados na TV Cultura, e cuja audiência é representada por um traço na aferição do IBOPE. Embora eu desconfie que o blog aqui, em termos de platéia, esteja na mesma situação.
Intelectuais adoram palpitar sobre filosofia, pintura, escultura, arquitetura, literatura, partitura, saracura e saravá, curupira e Carajás. Lembrem-se da clássica frase do ramo publicitário: "Não requer prática, tampouco habilidade."
Intelectuais mostrando sua biblioteca - os 10 mil volumes atrás dos quais eles tentam esconder a burrice e a insegurança - em casa para as visitas são iguais 1) aos adolescentes aloprados disputando quem tem o ding-a-ling maior; 2) ao povo de Orkut com fotos exibindo bíceps, tríceps e às vezes - os mais depravados - até fórceps.
Intelectuais, maçantes e previsíveis que são, vão falar que provavelmente a mulher do sujeito corneou-o com um(a) fã de Jacques Derrida, o que explicaria a suposta birra contra a categoria.
Quando intelectuais iniciam a costumeira torrente, análise de letra do Arrigo Barnabé, Museu Guggenhein, Bienal do Vazio, discotecagem acompanhada de declamação de T.S. Eliot, Escola de Frankfurt, teatro antiteatro de Beckett, fluxo de consciência, desconstrução, estética da incomunicabilidade e performance de nudez conceitual, é hora de tomar medidas drásticas.
Intelectuais são tão tapados e cabeça-de-macaúba que não sabem a diferença entre uma sátira e um lactobacilo vivo.
domingo, 31 de maio de 2009
Topônimos
Albânia - Nome de diretora de escola pública
Andorra - Marca de cigarro
Angola - Marca de cerveja
Azerbaijão - Marca de arroz
Armênia - Nome da tia da novela das 8 que costura para fora
Bahamas - Nome de cassino
Belarus - Nome de transportadora
Belize - Nome do produto de cabelo predileto de suburbanas
Benin - Apelido de tio solteiro
Botsuana - Nome de intoxicação alimentar causada por bactéria
Brunei - Nome de loja de móveis wannabe-chique à beira da falência
Burkina Faso - Nome de ditador africano
Burundi - Nome de estádio ou de entidade de macumba
Butão - Nome de mosquito da região norte do Brasil
Cabo Verde - Nome de produto de limpeza
Cazaquistão - Nome de favela
Chipre - Marca de perfume de catálogo da Hermes
Congo - Nome de instrumento de percussão
Croácia - Nome da parte final do aparelho digestivo de répteis
Djibuti - Gíria de surfista
Dominica - Nome de anciã viúva
El Salvador - Nome de igreja evangélica de periferia
Equador - Marca de relógio
Eritréia - Nome de parte do sistema respiratório
Eslováquia - Nome de osso do corpo humano
Fiji - Nome de banco
Gana - Marca de papel higiênico
Guiné - Apelido carinhoso que trabalhador de fábrica põe na esposa
Holanda - Marca de pano de prato
Honduras - Nome de doença de pele
Hungria - Nome de estado de debilidade provocado por consumo excessivo de álcool
Iêmen - Nome que pai pobre põe na filha querendo soar sofisticado
Inguchétia - Interjeição cearense
Irã - Nome de índio
Israel - Nome de crente
Jordânia - Nome de jogadora de vôlei
Kosovo - Nome de excêntrica distribuição Linux
Laos - Nome de personagem de filme de luta
Lesoto - Marca de óleo de cozinha
Líbano - Elemento da Tabela Periódica
Líbia - Nome de síndica
Luxemburgo - Nome de rede de hotéis
Maldivas - Nome de gangue do bairro Antônio Bezerra
Mali - Marca de palito de dente
Marrocos - Nome de time de futebol da 3ª divisão
Mauritânia - Nome de menina que tem 11 irmãos
Mônaco - Nome de carro esportivo
Namíbia - Nome de distúrbio psicológico
Nicarágua - Nome de companhia que trabalha com recursos hídricos
Panamá - Marca de roupa vendida no Beco da Poeira
Papua Nova Guiné - Nome de vencedor da corrida São Silvestre
Polônia - Nome de planta ornamental
Ruanda - Nome de empresa de ônibus
San Marino - Nome de participante de Big Brother
São Cristóvão e Névis - Sobrenome de emergente que conquistou grana no ramo de bijuteria
São Tomé e Príncipe - Nome de escola de samba
Senegal - Nome de vocalista de banda de axé
Singapura - Nome de mercado
Somália - Nome de comércio popular de roupas da rua Senador Pompeu
Sudão - Gíria de funkeiro carioca
Suriname - Marca de mortadela
Tanzânia - Nome de reserva florestal
Togo - Gíria para "ânus"
Tonga - Apelido de traficante
Trinidad e Tobago - Nome de dupla sertaneja de Goiás
Tunísia - Nome de tia do interior
Tuvalu - Nome de rio poluído
Uganda - Nome de filha de antropólogo/sociólogo
Uzbequistão - Nome de paranormal que realiza curas milagrosas em programas de auditório
Vanuatu - Nome de mamífero comestível da zona rural
Andorra - Marca de cigarro
Angola - Marca de cerveja
Azerbaijão - Marca de arroz
Armênia - Nome da tia da novela das 8 que costura para fora
Bahamas - Nome de cassino
Belarus - Nome de transportadora
Belize - Nome do produto de cabelo predileto de suburbanas
Benin - Apelido de tio solteiro
Botsuana - Nome de intoxicação alimentar causada por bactéria
Brunei - Nome de loja de móveis wannabe-chique à beira da falência
Burkina Faso - Nome de ditador africano
Burundi - Nome de estádio ou de entidade de macumba
Butão - Nome de mosquito da região norte do Brasil
Cabo Verde - Nome de produto de limpeza
Cazaquistão - Nome de favela
Chipre - Marca de perfume de catálogo da Hermes
Congo - Nome de instrumento de percussão
Croácia - Nome da parte final do aparelho digestivo de répteis
Djibuti - Gíria de surfista
Dominica - Nome de anciã viúva
El Salvador - Nome de igreja evangélica de periferia
Equador - Marca de relógio
Eritréia - Nome de parte do sistema respiratório
Eslováquia - Nome de osso do corpo humano
Fiji - Nome de banco
Gana - Marca de papel higiênico
Guiné - Apelido carinhoso que trabalhador de fábrica põe na esposa
Holanda - Marca de pano de prato
Honduras - Nome de doença de pele
Hungria - Nome de estado de debilidade provocado por consumo excessivo de álcool
Iêmen - Nome que pai pobre põe na filha querendo soar sofisticado
Inguchétia - Interjeição cearense
Irã - Nome de índio
Israel - Nome de crente
Jordânia - Nome de jogadora de vôlei
Kosovo - Nome de excêntrica distribuição Linux
Laos - Nome de personagem de filme de luta
Lesoto - Marca de óleo de cozinha
Líbano - Elemento da Tabela Periódica
Líbia - Nome de síndica
Luxemburgo - Nome de rede de hotéis
Maldivas - Nome de gangue do bairro Antônio Bezerra
Mali - Marca de palito de dente
Marrocos - Nome de time de futebol da 3ª divisão
Mauritânia - Nome de menina que tem 11 irmãos
Mônaco - Nome de carro esportivo
Namíbia - Nome de distúrbio psicológico
Nicarágua - Nome de companhia que trabalha com recursos hídricos
Panamá - Marca de roupa vendida no Beco da Poeira
Papua Nova Guiné - Nome de vencedor da corrida São Silvestre
Polônia - Nome de planta ornamental
Ruanda - Nome de empresa de ônibus
San Marino - Nome de participante de Big Brother
São Cristóvão e Névis - Sobrenome de emergente que conquistou grana no ramo de bijuteria
São Tomé e Príncipe - Nome de escola de samba
Senegal - Nome de vocalista de banda de axé
Singapura - Nome de mercado
Somália - Nome de comércio popular de roupas da rua Senador Pompeu
Sudão - Gíria de funkeiro carioca
Suriname - Marca de mortadela
Tanzânia - Nome de reserva florestal
Togo - Gíria para "ânus"
Tonga - Apelido de traficante
Trinidad e Tobago - Nome de dupla sertaneja de Goiás
Tunísia - Nome de tia do interior
Tuvalu - Nome de rio poluído
Uganda - Nome de filha de antropólogo/sociólogo
Uzbequistão - Nome de paranormal que realiza curas milagrosas em programas de auditório
Vanuatu - Nome de mamífero comestível da zona rural
Assinar:
Postagens (Atom)













