segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

Algo de novo no front

Está aí o recente - suposto? pretenso? - arrastão em grande escala no Centro, o qual foi desexplicado pelas autoridades (in)competentes seguindo a tática Barbrady de "não tem nada pra ver aqui", tangendo com o quepe os curiosos. Não me agradam hipóteses conspiratórias. Mas já que resido numa província que está em um país onde Severino Cavalcanti é levado a sério, prefiro ficar com uma pata atrás e considerar várias conjecturas. Vem comigo.

Então, espiem só. Alguma coisa acontece, e não é perto do meu marcapasso. Ou as lombras de crack deixando os malacos mais selvagens e exacerbando o desprezo deles pelas mais elementares regras de etiqueta, ou os bairros pacificados que existem apenas em propagandas oficiais com imagem cinematográfica e reluzentes camburões, ou a violência latente de cada protótipo de cidadão comum, ou simplesmente a população crescendo demais numa área que não segura a onda de tanta gente querendo sobreviver (há um nome vistoso para isso: infra-estrutura; nesse caso, a falta dela).

A suspeita de fluidos a cheirar mal rolando nos bastidores, tal qual água no canal do Jardim América, eu já vinha costurando faz é tempo, numa colcha feita retalhos de conversas aqui e acolá, ouvidas de colegas ou de incógnitos. Tornando-se amiudados (mera coincidência?) causos envolvendoseqüestros-relâmpago, refregas entre bandido e polícia, coronhadas, trombadinhas em fuga derrubando velhotas, horários e locais cada vez menos recomendáveis.

Tenho uma teoria dos precedentes. Se alguém, antes de 11 de setembro de 2001, viesse com especulações sobre o que rolou naquela terça-feira, certamente receberia respostas tipo "Ah, fala sério!", "Não viaja, impossível!", "Isso é coisa de filme!". Até que um bando de labregos maometanos foi lá e fez. Aquilo foi o precedente. Agora tínhamos a prova de que a audácia mirabolante era possível. Virou parte da paisagem morar assustado imaginando onde seria o próximo. E depois ainda houve outros golpes em Londres e em Madri. Os incidentes que ora brotam cá pela cidade, por enquanto comentados com um mix de espanto/indignação/excitação, podem, perigosamente, representar o precedente de fatos que os cabeça-chata pósteros vão encarar em seu cotidiano como sendo tão banais quanto mulheres seminuas nas propagandas das traseiras de ônibus ou topics superlotadas às 6 da tarde.

sábado, 22 de dezembro de 2007

Mensagem

Nesta época de final de ano, as pessoas costumam ficar introspectivas, fazendo uma revisão geral do que aconteceu em suas vidas nos últimos onze meses. Gostaria de contribuir com esse sentimento e proporcionar um momento de reflexão. Contando a seguinte historinha:

Um homem estava conversando com um colega sobre um fato que havia ocorrido com ele:

- Você não vai acreditar! Eu estava andando do lado da linha do trem quando, de repente, vi amarrada no trilho uma mulher. Então eu corri e desamarrei-a, que nem nos filmes. Eu a levei para minha casa e nós dois transamos a noite inteira! Fizemos quase de tudo!


Daí o colega perguntou:


- Porra! Vocês fizeram sexo oral?


No que o homem respondeu:


- Não! A cabeça foi a única parte que não encontrei.


(Enganei os bobos.)

(Ótimo final de ano a todos, cambada.)

segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

Creto é uma ilha

Na ALU-L, a agitada lista de discussões dos alunos da Computação - UFC, em um tópico sobre a invasão do prédio da reitoria por um grupo de estudantes, surgiram as lúcidas e contundentes mensagens enviadas por um professor:

(1)
Democracia sempre foi uma palavra com uma definição altamente imprecisa em toda a história. Os Estados Unidos, que hoje em dia diz exportar democracia (força democracia sobre outros países), é criticado internamente e externamente. Internamente alguns americanos dizem que democracia nos Estados Unidos é ter a liberdade de concordar com o governo. Eu vejo que cada um define democracia com bem lhe convém e, assim, essa tal democracia que tem milhões de interpretações não existe. Esses vídeos que você enviou revelam bem isso. As caras de muitos dos que estão no vídeo mostram que estão curtindo a possibilidade de impor sua força pelo número e estão felizes nem sabem porquê. Ao menor descuido, os supostos democratas depredam o prédio da reitoria que nem do Ícaro é. Para mim, os alunos antes de mais nada deveriam sim destituir seus representantes no CONSUNI.

Quando fui representante do DC em uma dessas instâncias, que faço questão de esquecer o nome, na época do Fernando Henrique, não havia nenhuma discussão sobre o que fazer para melhorar a UFC.Toda reunião só se falava em moção de repúdio ao FHC. Vi professores manipulando os colegas pra depois se lançarem candidatos por algum partido de esquerda. Vi frases do tipo "a greve dos professores universitários tem quer ser vista no contexto dos trabalhadores da construção civil". Que absurdo é esse?

No meio dos estudantes não é diferente. Existe o mesmo tipo de manipulação e imposição de idéias de alguns para que a massa execute o chamado "dirty work". Universidade é um lugar para que as mentes se abram para o mundo do conhecimento e não um lugar para aparecerem "pastores" comandando e dirigindo as ovelhas imbecilizadas.

Que Deus nos acuda.

Creto

(2)
Tem algum aluno da UFC participando de invasão de fazenda pra fazer churrasco com a vaca alheia? Então, qual a razão do MST vir ajudar a invadir a reitoria? Que palhaçada é essa? Exatamente pela história do MST de quebrar, fazer churrasco com a vaca alheia, beber as bebidas que não comprou, destruir laboratórios e uma infinidade de atitudes de bárbaros é que, na minha mensagem, eu temia que por qualquer descuido ou inabilidade nas negociações a reitoria poderia ser depredada.

Existe um ditado popular que diz: "Se queres mudar o mundo, primeiro muda-te a ti mesmo".

Por que temos repetidas vezes recebido denúncias de que alunos que freqüentam o LEC (nosso próprio laboratório):

1) roubam mouse ?

2) roubam componentes de memória?

3) baixam pornografia?

4) ocupam o espaço para bate-papo enquanto colegas querem trabalhar?

etc.

Por que o nosso auditório continua desativado há mais de 8 anos?

Por que tem cadeira quebrada no LIA? Cadeiras que custaram R$100,00.

Por que aluno se senta em cima dos braços das cadeiras nas salas de aula?

Por que alunos vêm fumar baseado nos diversos campi da UFC?

Por que alunos transam dentro dos CAs?

Por que alunos transam dentro de salas de aula?

Por que alunos não fazem das aulas um momento rico de discussão e aprendizado?

etc.

A lista de perguntas sem resposta ou discussão pode ser ainda maior. Por que nada disso é debatido? Talvez porque não traga ganho político para as lideranças estudantis ou dê muito trabalho ou até porque eles correriam riscos de serem acusados de caretas, puritanos, não revolucionários, etc.? Também não sei a resposta. Mas o fato é que nossa sociedade brasileira, acostumada à política centralizadora durante toda sua história e piorada muito durante o primeiro período de Getúlio Vargas, coloca sua energia para protestar contra causas globais e nunca se envolve nas causas locais que, se somadas, trariam um benefício muito maior ao todo.

Creto

(Creto Augusto Vidal é professor do curso de Bacharelado em Ciência da Computação da Universidade Federal do Ceará - UFC)

sexta-feira, 2 de novembro de 2007

Para ouvir no dia dos mortos

Música do conterrâneo Falcão, figura já outras vezes mencionada por aqui. Bem oportuna para o dia de hoje.

A Terra Há De Comer (Já Que Eu Não Comi)

Se eu pudesse eu chegaria mais cedo
para prestigiar seu enterro.
Acontece que eu não vou me prejudicar
arriscando até perder meu emprego.

Mas você também podia marcar
outra hora pra poder se enterrar.
Mas você também podia marcar
outra hora, outro canto, outra data
pra poder se enterrar.

Você pode até nem achar decente
minha ausência na missa de corpo presente.
Se eu tivesse pelo menos motivação,
tinha ido até mesmo à sua extrema unção.

Se essa porra, porém, fosse de manhã,
eu iria a esse ato de piedade cristã.
Mas devido ao aperreio do horário,
eu também não fui me divertir no velório.

Para ouvir:

terça-feira, 25 de setembro de 2007

Sem graça

(Post fantasma psicografado pelo espírito Besouro Suco)

O negócio aqui é DESgraça e infâmia mesmo. Cuidado para não confundir:

PRETO COM UM BURACO NO MEIO
Um antigo disco de vinil?
Morador de morro carioca depois de tiroteio?

PRIMATAS ROENDO OSSO
Cenas iniciais do filme 2001: Uma Odisséia No Espaço?
Matéria do Jornal Nacional sobre a seca no Nordeste?

AGORA SEM AS MÃOS!
Menino brincando de bicicleta?
Menino brincando com serra elétrica?

PRETO BRANCO PRETO BRANCO PRETO...
Uma fila de zebras?
Freira empurrada rolando escada abaixo?

NINGUÉM SEGURA ESTE PAÍS
Slogan do governo militar?
País caiu num abismo?

SAPATÃO NO CAIXÃO
Sapato N° 46 guardado na caixa?
Velório da Cássia Eller?

PRETO COM PENAS
Corvo? Graúna?
Índio queimado com cocar e tudo?

CARNE DE SEGUNDA
Almoço de ralé?
Autópsia na segunda-feira?

BRASILEIRO PILANTRA BARBUDO SEMI-ALFABETIZADO
Traficante carioca famoso?
Presidente da República?

BOLA NA REDE
Comentário do Galvão Bueno?
Cearense dormindo pelado?

É DANDO QUE SE RECEBE
Frase de São Francisco?
Frase de prostituta?

UM BANCO E UM VIOLÃO
Show acústico?
Conta corrente de astro da MPB?

GELADO COM UM PAU DENTRO
Picolé?
Esquimó empalado?

RATO GIGANTE
Mickey Mouse?
Morador do Jangurussu?

SHOW DA FÉ
Nome de megaevento religioso?
3° mandato de Lulla?

CAMINHO DAS PEDRAS
Rua sem asfalto?
Comércio de crack?

CHURRASCO EM NOVA YORK
Restaurante brasileiro?
11 de setembro de 2001?

REALIDADE VIRTUAL
Internauta?
Autista?

DEIXAI VIR A MIM AS CRIANCINHAS
Frase de Jesus o Cristo?
Frase de Michael Jackson?

BOMBA NA CABEÇA
Aluno reprovado?
Morador do Iraque?

ERA UMA PESSOA MUITO BOA
Elogio em velório?
Canibal após refeição?

SEDUTORA DE ÁRABE
Odalisca?
Fêmea de camelo? (ou carreira de terrorista?)

MUITO PÓ E LUZES
Num salão de beleza?
Numa boate?

TERRA DE NINGUÉM
São Paulo violenta?
Acre?

PROTEGE CONTRA O TEMPO
Guarda-chuva?
Botox?

VERMELHO E IRRITA
Muita pimenta na comida?
Militante de esquerda?


PEQUENO E BARULHENTO
Cachorro pequinês?
Heloísa Helena?

SEM PÉ NEM CABEÇA
Roteiro de novela?
Que o trem passou por cima?

ATÉ QUE A MORTE OS SEPARE
Casamento?
Pára-quedas com defeito?

BATER CARTÃO
Operário na fábrica?
Trombadinha na praça?

MAGRELO E ASSUSTADOR
É do Resident Evil?
É do campo de Auschwitz?

TROCA DE ÓLEO
Oficina?
Centro de hemodiálise?

BIGODE REPULSIVO
Adolf Hitler?
Mulher de Portugal?

GENTE TORTA
Pinturas de Pablo Picasso?
ParaOlimpíadas?

DESLIZANDO NO ASFALTO
Skate, rolimã?
João Hélio?

BARBUDO E DÁ COICE
Bode? Cabrito?
Lulla? Fidel?

CAI E NÃO QUICA
Bola de boliche?
Bebê obeso?

CAIXINHA DE SURPRESAS
Futebol?
Encomenda vinda do Afeganistão?

É PAU É PEDRA
Verso da MPB?
Adultério feminino no Irã?

IR ALI E VOLTAR JÁ
Sair p/ comprar cigarro?
Seqüestro-relâmpago?

DIVERSÃO COM PLAYBOYS
Revistas de mulher nua?
Espancar empregada doméstica?

BAD TRIP
Má experiência com drogas?
Vôo da TAM?

CINCO CONTRA UM
Masturbação masculina?
Pelotão de fuzilamento na China?

LUZ NO FIM DO TÚNEL
Trem na contra-mão?
Tiroteio?

VELOZES E FURIOSOS
Filme cheio de carro tunnado?
Arrastão na praia?

ASSIM NA TERRA COMO NO CÉU
Desígnios de Deus?
Acidente com avião no Brasil?

CORAÇÃO PARTIDO
Desilusão amorosa?
Crime passional?

SEMPRE CABE MAIS UM
Coração de mãe?
Vala comum? (ou topic?)

PESQUE-E-PAGUE
Estabelecimento para pescadores amadores?
Faculdade particular?

A GRANDE FAMÍLIA
Seriado da TV Globo?
Escritório de deputado?

PRESUNTO NO ALMOÇO
Escassez de comida?
Programa policial na TV cearense?

CRESCEI E MULTIPLICAI-VOS
Trecho da Bíblia?
Células cancerígenas?

segunda-feira, 17 de setembro de 2007

Bacorinho besuntado

É conhecida da banguela tradição do caipira way of life a brincadeira em que um magote de folclóricos jecas entusiásticos persegue, por caminhos de terra bruta, um porco lambuzado de óleo ou de graxa. Vence a disputa quem pegar o danado. Os refinados atletas seguidos por sua platéia, estourando entre gritos e risadas, vêm um após outro, quando encurralam o animal, dar-lhe um vigoroso amplexo de sapo tarado, para também um atrás do outro ver o malandro suíno escapulindo/deslizando olimpicamente pelas mais improváveis tangentes.

O porquinho é a Ética, alegórico que só uma escultura de Fídias. O lugar cheio de viventes rústicos e calejados como pedras de espigão é o Brasil. Os competidores são os partidos políticos, com seus AvaCalheiros abençoados pela tríade Justo Veríssimo, Odorico Paraguaçu e João Plenário. Todos impregnados de lama de chiqueiro até a alma (vendida com superfaturamento), mas cada um propagandeando-se dudamendonçamente como possuidor exclusivo do bichinho reluzente de tão ensebado. Que teima em escorrer de garra em garra.

Mas sem vencedor.

sábado, 15 de setembro de 2007

O Fim

Uma especulação científica que parece tirada de saga de quadrinhos da Marvel é a que trata da morte do sol. Um dia, que não será amanhã - mas que há de chegar, afiançam-nos os entendidos leitores da revista Superinteressante -, a fornalha do astro-rei vai aderir ao Cansei. O reator, movido a hidrogênio, da grandiosa usina que proporcionou toda a existência como conhecemos, esgotará (irreversivelmente) seu combustível e apagar-se-á inapelavelmente como uma arcaica lâmpada incandescente. Mas não assistiremos à cena em que ele vira uma casca enrugada. A máquina da filial Terra, com sua engrenagem-chefe indo para o brejo, entrará em colapso e desaparecerá sem deixar vestígios - como falar em posteridade nessa situação? - muito antes do suspiro final d'A Estrela.

No começo, haverá uma expansão do orbe de fogo, devorando os súditos mais próximos como um Pac-Man alucinado. Estará incluído nesse manjar o pálido ponto azul que ora nos serve de morada. Sabem a mancha cor de safira que aparece na inicialização do Google Earth? Pois é. E a radiação será estupidamente maior. Só isso já vai inviabilizar total o fenômeno vida e eliminar as intrigantes bagatelas - seres vivos - residentes no geóide. Sairemos do palco nos primeiros minutos do último ato da divina comédia. Com a solenidade das naves destroçadas no Space Invaders. Ou seja, um pof e acabou-se o agridoce. O esquentadinho lá de cima no ápice de seu mau humor.

Para nós, com 2 ou 4 pernas, com ou sem ossos, com ou sem renda, laissez-faire ou intervencionistas, cigarra ou formiga, carrascos ou vítimas, será o tal do Fim. O tão alardeado, tantas vezes e de tantas formas profetizado.

Passada essa fase de criativa euforia destruidora, ele recolher-se-á à sua insignificância, como diria um ilustre parlamentar brasileiro. Em seu antiútero, o sol provavelmente tornar-se-á uma chamada "estrela fria", de acordo com a gíria dos astrônomos. Sem ninguém para realizar suas exéquias, ele, simples assim, expira, resignado e em silêncio.

Uma calejada de eras atrás, ele permitiu o boot primordial. Tinha que ser ele de novo para pressionar o delete e enfiar sua viola no saco. Talvez sobrem uns farelos para o Galactus.

Comumente, esse evento é situado em daqui a uns 5 bilhões de anos. Pelos menos a outra história, com clangor de trombetas e céus se abrindo, tinha pompa e circunstância dignas de estréia no Teatro La Scala de Milão.