domingo, 14 de dezembro de 2014

Falkland

A batalha das Falkland, entre a Royal Navy e a Kriegsmarine, ao largo das ilhas de mesmo nome, ocorre na sequência da batalha de Coronel, em que a pequena força naval alemã comandada por Maximilian von Spee, poucos meses após o inicio da I guerra mundial, afunda dois cruzadores blindados britânicos numa batalha que durou apenas uma hora.

Animados com a facilidade da sua vitória, os alemães decidem rumar a sul, dobrar o cabo Horn infletindo depois para norte em direção às ilhas Falkland, onde se encontra a pequena base de reabastecimento da Royal Navy. Tomando aquela base, será possível utilizar o carvão para reabastecimento, e dali rumar para norte para atingir a Alemanha.

No entanto, sem que os alemães tivessem conhecimento, os britânicos estavam a desenvolver esforços para não permitir que os navios alemães alguma vez voltassem a casa.

Assim, além do couraçado pré-Dreadnought HMS Canopus e de alguns cruzadores que se encontravam no Atlântico Sul, foram despachados para as Falkland em 11 de Novembro (dez dias depois da batalha de Coronel) dois poderosos cruzadores de batalha, o HMS Invincible e o HMS Inflexible, antecipando a possibilidade de os alemães se decidirem por aquela rota.

O HMS Canopus recebeu ordem para encalhar em Port Stanley, e para utilizar os seus canhões como bateria de artilharia estacionária para a defesa do porto. Os cruzadores de batalha britânicos enviados como reforço chegaram a Port Stanley no dia 7 de Dezembro de 1914.

OS NAVIOS CHEGARAM EXATAMENTE A TEMPO

Pelas 08:00 da manhã do dia 8 de Dezembro de 1914, um cruzador alemão enviado para observar as ilhas, detecta, por detrás das colinas que circundam o porto, os mastros em tripé de navios ancorados em Port Stanley. O comandante alemão dá ordem para que o navio gire violentamente em direção a sul, pois tinha interpretado corretamente o que significava a presença de navios com mastros altos em tripé: Significavam a presença de couraçados ou cruzadores de batalha britânicos, navios muito mais poderosos que os da esquadra alemã.

Mas os britânicos também tinham detectado a aproximação dos navios alemães e deram ordem imediata para preparar a saída do porto, tentando evitar que os alemães tivessem tempo para posicionar os seus navios para concentrar o fogo à saída do porto quando os navios ingleses saíssem de Port Stanley em fila.

Os cruzadores de batalha tinham chegado no dia anterior e não estavam prontos para sair. Por isso só por volta das 10.00 da manhã (duas horas depois de os alemães terem sido avistados) saíram do porto, com os cruzadores protegidos que também se encontravam em Port Stanley.

DECISÃO ALEMÃ

Quanto à esquadra de von Spee, que contava não encontrar resistência à altura nas Falkland, era fácil de entender que não teria qualquer possibilidade de enfrentar os britânicos. Os dois cruzadores de batalha eram capazes de atingir 26 nós e estavam armados com oito canhões de 305mm e dezesseis de 102mm.

A decisão alemã é por isso razoável. Spee tentará escapar. Por volta das 11:00, à vista dos navios britânicos, os alemães infletem para leste tendo começado a perseguição. Os navios alemães eram em teoria apenas ligeiramente mais lentos que os navios britânicos, mas o fato de estarem há muito tempo na água e de terem por isso o casco cheio de algas e incrustações marinhas, a sua velocidade máxima não podia ser atingida.

Por volta das 13:00 o cruzador ligeiro alemão Leipzig começa a ficar para trás e o Inflexible abriu fogo sobre ele a cerca de 15.000 metros de distância.

Para tentar proteger os navios menores, von Spee dá ordens aos cruzadores blindados Scharnhorst e Gneisenau para infletirem para nordeste para dar batalha ao Inflexible emitindo simultaneamente ordens para os cruzadores menores se espalharem e tentarem atingir a Alemanha cada um por si. Perante o contra-ataque alemão, os dois cruzadores de batalha britânicos, sabendo que eram mais poderosos e mais rápidos infletiram também, para evitar que os alemães os pudessem atingir com os seus canhões de 210mm, mantendo porém o fogo da sua própria bateria principal que tinha maior alcance.

Desta forma, mantendo a distância o resultado era inevitável, o Scharnhorst foi o primeiro a ser atingido e o primeiro a ser afundado, por volta das 16:17. O Gneisenau resistiu mais tempo, mas acabou por se afundar por volta das 18:00.

Dos cruzadores ligeiros alemães, o Nuremberg foi afundado pelas 19:27 e o Leipzig teve o mesmo destino por volta das 20:35.

O cruzador Dresden escapou à batalha, dirigindo-se para a Tierra del Fuego onde se refugiou nos fiordes, sendo no entanto capturado três meses mais tarde pelos cruzadores Kent e Glasgow.

A batalha das Falkland foi a última batalha naval entre navios de grandes canhões, onde não houve influência das novas táticas de guerra que implicaram a utilização de torpedeiros, contratorpedeiros, submarinos ou aviação.

A batalha demonstrou também que a capacidade de Royal Navy para controlar o mar era um prenúncio do desfecho da guerra, quatro anos mais tarde.

SINAIS PREOCUPANTES

Embora a vitória da Royal Navy tenha sido retumbante, os analistas mais informados tiraram conclusões algo diferentes daquelas que passaram para a opinião pública.

Entre o início e o fim da batalha, decorreram mais de cinco horas. Este longo período de tempo em que os britânicos perseguiram os alemães aparenta ter demonstrado a má qualidade do treino da marinha britânica, já que na batalha de Coronel os alemães tinham afundado um esquadrão britânico em uma hora.

Ainda que as condições fossem diferentes (os alemães estavam literalmente a fugir dos ingleses a grande velocidade), levantaram-se dúvidas quanto à falta de prática de tiro das tripulações.

Além disso, durante o recontro das Falkland, as guarnições dos cruzadores de batalha britânicos afirmaram que se aperceberam que a blindagem dos navios estava a ser perfurada por alguns tiros certeiros dos navios alemães.

Isto era uma demonstração de que, ao contrário do que se afirmava no almirantado britânico, o conceito do cruzador de batalha (navio poderosamente armado mas fracamente blindado) deixava muito a desejar.


Fonte:
http://www.areamilitar.net/HistBCR.aspx?N=65

domingo, 7 de dezembro de 2014

Nicht diese töne

[publicado em 3 de novembro de 1914 no Neue Zürcher Zeitung]

O Freunde, nicht diese Töne!

(Hermann Hesse)

Die Völker liegen einander in den Haaren, und jeden Tag leiden und sterben Ungezählte in furchtbaren Kämpfen. Mitten zwischen den aufregenden Nachrichten vom Kriegsschauplatz fiel mir, wie das so geht, ein längst vergessener Augenblick aus meinen Knabenjahren ein. Da saß ich, vierzehnjährig, an einem heißen Sommertag in Stuttgart in dem berühmten schwäbischen Landexamen, und als Aufsatzthema wurde uns diktiert: "Welche guten und welche schlechten Seiten der menschlichen Natur werden durch den Krieg geweckt und entwickelt?" Meine Arbeit über dies Thema beruhte auf keinerlei Erfahrung und fiel entsprechend traurig aus, und was ich damals, als Knabe, unter Krieg sowohl wie unter Kriegstugenden und Kriegslasten verstand, stimmt nicht mehr mit dem zusammen, was ich heute so nennen würde. Aber im Anschluß an die täglichen Ereignisse und an jene kleine Erinnerung habe ich dem Krieg in dieser Zeit viel nachgedacht, und da jetzt doch einmal der Brauch eingerissen ist, daß Männer der Studierstube und des Ateliers ihre Meinungen hierüber kundgeben, scheue ich mich nicht länger, auch die meine auszusprechen. Ich bin Deutscher, und meine Sympathien gehören Deutschland, aber was ich sagen möchte, bezieht sich nicht auf Krieg und Politik, sondern auf die Stellung und Aufgaben der Neutralen. Damit meine ich nicht die politisch neutralen Völker, sondern all diejenigen, die als Forscher, Lehrer, Künstler, Literaten am Werk des Friedens und der Menschheit arbeiten.

Da sind uns in letzter Zeit betrübende Zeichen einer unheilvollen Verwirrung des Denkens aufgefallen. Wir hören von Aufhebung der deutschen Patente in Rußland, von einem Boykott deutscher Musik in Frankreich, von einem ebensolchen Boykott gegen geistige Werke feindlicher Völker in Deutschland. Es sollen in sehr vielen deutschen Blättern künftig Werke von Engländern, Franzosen, Russen, Japanern nicht mehr übersetzt, nicht mehr anerkannt, nicht mehr kritisiert werden. Das ist kein Gerücht, sondern Tatsache und schon in die Praxis getreten.

Also ein schönes japanisches Märchen, ein guter französischer Roman, von einem Deutschen noch vor Kriegsbeginn treu und liebevoll übersetzt, muß jetzt totgeschwiegen werden. Eine schöne, gute Gabe, mit Liebe unserm Volk dargebracht, wird zurückgestoßen, weil einige japanische Schiffe Tsingtau bekriegen. Und wenn ich heute das Werk eines Italieners, eines Türken, eines Rumänen lobe, so darf das nur mit dem Vorbehalt gelten, daß nicht vor Beendigung des Abdrucks in diesen Völkern ein Diplomat oder Journalist die politische Lage ändert!

Anderseits sehen wir Künstler und Gelehrte mit Protesten gegen kriegführende Mächte auf den Plan treten. Also ob jetzt, wo die Welt in Brand steht, solche Worte vom Schreibtisch irgendeinen Wert hätten. Als ob ein Künstler oder Literat, und sei er der beste und berühmteste, in den Dingen des Krieges irgend etwas zu sagen hätte.

Andere nehmen am großen Geschehen teil, indem sie den Krieg ins Studierzimmer tragen und am Schreibtisch blutige Schlachtgesänge verfassen oder Artikel, in denen der Haß zwischen den Völkern genährt und ingrimmig geschürt wird. Das ist vielleicht das Schlimmste. Jeder, der im Felde steht und täglich sein Leben wagt, habe das volle Recht zur Erbitterung und momentanem Zorn und Haß, und jeder aktive Politiker ebenso. Aber wir anderen, wir Dichter, Künstler, Journalisten - kann es unsere Aufgabe sein, das Schlimme zu verschlimmern, das Häßliche und Beweinenswerte zu vermehren?

Gewinnt Frankreich etwas, wenn alle Künstler der Welt gegen die Gefährdung eines schönen Bauwerkes protestieren? Gewinnt Deutschland etwas, wenn es keine englischen und französischen Bücher mehr liest? Wird irgend etwas in der Welt besser, gesünder, richtiger, wenn ein französischer Schriftsteller den Feind mit gemeinen Schimpfworten bewirft und das Heer zu tierischer Wut aufzustacheln sucht?

Alle diese Äußerungen, vom frech erfundenen "Gerücht" bis zum Hetzartikel, vom Boykott "feindlicher" Kunst bis zum Schmähwort gegen ganze Völker, beruhen auf einem Mangel des Denkens, auf einer geistigen Bequemlichkeit, die man jedem kämpfenden Soldaten ohne weiteres zugute hält, die aber einem besonnenen Arbeiter oder Künstler schlecht ansteht. Ich nehme von vorneherein alle diejenigen von meinem Vorwurf aus, denen schon vorher die Welt bei den Grenzpfählen aufhörte. Die Leute, denen jedes der französischen Malerei erteilte Lob ein Greuel war und denen bei jedem Fremdwort der Zornschweiß ausbrach, die sind es nicht, von denen hier die Rede ist, die tun weiter, was sie vorher taten. Aber die anderen alle, die sonst mit mehr oder weniger Bewußtsein am übernationalen Bau der menschlichen Kultur tätig gewesen sind und jetzt plötzlich den Krieg ins Reich des Geistes hinübertragen wollen, die begehen ein Unrecht und einen großen Denkfehler. Sie haben so lange der Menschheit gedient und an das Vorhandensein einer übernationalen Menschheitsidee geglaubt, als dieser Idee kein grobes Geschehen widersprach, als es bequem und selbstverständlich war, so zu denken und zu tun. Jetzt, wo es zur Arbeit, zur Gefahr, zum Sein oder Nichtsein wird, an jener größten aller Ideen festzuhalten, jetzt kneifen sie aus und singen den Ton, den der Nachbar gerne hört.

Wohlverstanden, dies geht nicht gegen die vaterländische Gesinnung und die Liebe zum eigenen Volkstum. Ich bin der letzte, der in dieser Zeit sein Vaterland verleugnen möchte, und es würde mir nicht einfallen, einen Soldaten vom Erfüllen seiner Pflicht abzuhalten. Da man jetzt einmal am Schießen ist, soll geschossen werden - aber nicht des Schießens und der verabscheuungswürdigen Feinde wegen, sondern um so bald wie mögliche eine bessere, höhere Arbeit wiederaufzunehmen! Es wird jetzt jeden Tag viel von dem vernichtet, wofür alle Gutgesinnten unter den Künstlern, Gelehrten, Reisenden, Übersetzern, Journalisten aller Länder sich ihr Leben lang bemühten. Das ist nicht zu ändern. Töricht und falsch aber ist es von jedem, der je eine einzige helle Stunde lang an die Idee der Menschheit, an eine internationale Wissenschaft, eine nicht national beschränkte Schönheit in der Kunst geglaubt hat, wenn er jetzt, über das Ungeheure erschrocken, die Fahne wegwirft und sein Bestes mit in den allgemeinen Ruin schmeißt. Ich glaube, es sind sehr wenige, es ist vielleicht nicht einer unter unseren Dichtern und Literaten, in dessen Gesamtwerk später einmal das Beste das sein wird, was er heute im Zorn der Stunde gesagt und geschrieben hat. Es ist auch unter ihnen, soweit sie überhaupt ernst zu nehmen sind, nicht einer, dem Körners Vaterlandslieder im Herzen lieber wären als die Gedichte jenes Goethe, der sich vom großen Befreiungskrieg seines Volkes so merkwürdig fernhielt.

Ja eben, rufen jetzt die Nurpatrioten, dieser Goethe ist uns immer verdächtig gewesen, er war nie ein Patriot, und er hat den deutschen Geist mit jener milden, kühlen Internationalität verseucht, an der wir lang gelitten haben und die unser deutsches Bewußtsein merklich geschwächt hat.

Da sitzt der Kern der Frage. Goethe war nie ein schlechter Patriot, obwohl er Anno 1813 keine Nationallieder gedichtet hat. Aber über die Freude am Deutschtum, das er kannte und liebte wie nur einer, ging ihm die Freude am Menschentum. Er war ein Bürger und Patriot in der internationalen Welt des Gedankens, der inneren Freiheit, des intellektuellen Gewissens, und er stand in den Augenblicken seines besten Denkens so hoch, daß ihm die Geschicke der Völker nicht mehr in ihrer Einzelgewichtigkeit, sondern nur noch als untergeordnete Bewegungen des Ganzen erschienen.

Mag man das einen kühlen Intellektualismus schelten, der im Augenblick ernster Gefahr zu schweigen habe - es ist dennoch der Geist, in dem die besten deutschen Denker und Dichter gelebt haben. An ihn zu erinnern und an die Mahnung zu Gerechtigkeit, Mäßigung, Anstand, Menschenliebe, die er enthält, dazu ist es jetzt mehr Zeit als je. Soll es denn dazu kommen, daß Mut dazugehört für einen Deutschen, ein gutes englisches Buch besser zu finden als ein schlechtes deutsches? Soll der Geist unserer Kriegführenden selber, der den feindlichen Gefangenen schont und erhält, den Geist unserer Denker beschämen, der den Feind auch da, wo er friedlich ist und Gutes bringt, nicht mehr anerkennen und schätzen will? Was sollte da nach dem Kriege werden, in jener Zeit, vor der wir alle schon ein wenig bangen, wo Reisen und geistiger Austausch zwischen den Völkern darniederliegen werden? Und wer soll dazu beitragen und daran arbeiten, daß es wieder anders wird, daß man sich wieder versteht, wieder anerkennt, wieder voneinander lernt - wer soll das tun, wenn nicht wir, die wir am Schreibtisch sitzen und unsere Brüder im Felde stehen wissen? Ehre jedem, der mitkämpft, mit Blut und Leben, auf dem Schlachtfeld unter den Granaten! Uns andern, die es mit der Heimat gut meinen und an der Zukunft nicht verzweifeln wollen, uns ist die Aufgabe geworden, ein Stück Frieden zu erhalten, Brücken zu schlagen, Wege zu suchen, aber nicht mit dreinzuhauen (mit der Feder!) und die Fundamente für die Zukunft Europas noch mehr zu erschüttern.

Noch ein Wort für jene vielen, die man unter diesem Krieg verzweifelnd leiden sieht und denen jede Kultur, jede Menschlichkeit dadurch vernichtet scheint, daß jetzt Krieg ist. Krieg war immer, seit wir von Menschengeschicken wissen, und es waren keine Gründe für den Glauben da, er sei nun abgeschafft. Es war lediglich die Gewohnheit langen Friedens, die uns das vortäuschte. Krieg wird so lange sein, als die Mehrzahl der Menschen noch nicht in jenem Goetheschen Reich des Geistes mitleben kann. Krieg wird noch lange sein, er wird vielleicht immer sein. Dennoch ist die Überwindung des Krieges nach wie vor unser edelstes Ziel und die letzte Konsequenz abendländisch-christlicher Gesittung. Der Forscher, der das Mittel gegen eine Seuche sucht, wird seine Arbeit nicht wegwerfen, wenn eine neuen Epidemie ihn überrascht. Noch viel weniger wird "Friede auf Erden" und Freundschaft unter den Menschen, die eines guten Willens sind, jemals aufhören, unser höchstes Ideal zu sein. Menschliche Kultur entsteht durch die Veredelung tierischer Triebe in geistige, durch Scham, durch Phantasie, durch Erkenntnis. Daß das Leben wert sei, gelebt zu werden, ist der letzte Inhalt und Trost jeder Kunst, obgleich alle Lobpreiser des Lebens noch haben sterben müssen. Daß Liebe höher sei als Haß, Verständnis höher als Zorn, Friede edler als Krieg, das muß ja eben dieser unselige Weltkrieg uns tiefer einbrennen, als wir es je gefühlt. Wo wäre sonst sein Nutzen?


Mais:
http://docs.google.com/file/d/0BxwrrqPyqsnIQ09Ca0ZCZzAtclE

domingo, 30 de novembro de 2014

Flandres

DEUTSCHE WELLE
10 de outubro de 2014

Bélgica lembra 100 anos de batalha decisiva para Primeira Guerra

Ao inundarem região para rechaçar avanço dos alemães, belgas forçaram uma guerra de trincheiras, que acabou caracterizando o grande conflito. Exposições e rotas históricas celebram centenário da Batalha de Flandres.

(Bernd Riegert)

Cem anos atrás, os poderosos invasores alemães atacaram a cidadezinha belga de Nieuwpoort, no litoral do Mar do Norte. Lá, desembocavam cinco rios e canais das planícies pantanosas de Flandres.

Os campos que se encontravam abaixo do nível do mar haviam sido drenados com um complexo sistema de canais artificiais e comportas. Movido pelo desespero, um oficial belga apresentou a ideia de transformar o lado alemão do front num gigantesco lago, para conter o rápido avanço do Exército inimigo.

O rei Alberto 1º, que comandava as tropas belgas naquela última ponta restante de Flandres Ocidental, concordou. Ao longo de quatro noites, as barragens e comportas foram abertas por dois civis, sob o fogo dos atiradores inimigos. As águas do Mar do Norte inundaram a região e, de fato, o Exército da Alemanha ficou atolado.

Para o historiador belga Patrick Vanleene, a inundação de Flandres foi uma virada importante na Primeira Guerra Mundial.

"Pela primeira vez, a invasão alemã na Bélgica foi detida. Isso transformou a guerra de movimento numa guerra de trincheira durante quatro anos. Assim conhecemos o grande conflito: uma guerra de posição travada nas trincheiras, de ambos os lados", conta.

PRESENÇA VIVA DE ALBERTO 1º

No local onde se encontravam as antigas barragens realiza-se a cerimônia internacional pelo início da Primeira Batalha de Flandres. Ali os belgas erigiram para Alberto 1º um monumento circular, de tijolos amarelos. Em seu centro está a estátua equestre do monarca; atrás dela, o Rio Yser, que corre ao longo do antigo front.

Alberto foi o único soberano que participou pessoalmente dos combates na Primeira Guerra, recusando-se a abandonar seu país e seu Exército - embora os aliados franceses tivessem preferido ver o rei dos belgas na segurança do exílio.

"O rei rejeitou isso conscientemente", conta o historiador Herbert Ruland, da Escola Superior da Comunidade Germanófona de Eupen, na província de Liège. Alberto sabia que, se deixasse seu país, provavelmente nunca mais retornaria. "Para a Bélgica, esse combate à margem do Yser provavelmente significou sua sobrevivência como nação."

Passados cem anos, Alberto 1º segue popular entre os belgas. Um longo ônibus articulado da companhia de transportes urbanos flandrina leva aos povoados das vizinhanças uma espécie de mostra móvel dedicada a ele. O "Albert bus" é muito bem frequentado, comenta seu motorista na parada em Nieuwpoort.

Na pacata cidadezinha, que vive da pesca e do turismo, naturalmente se come o arenque curado em vinagre matjes na Peixaria Albert. Para a cerveja, os flamengos procuram a taverna Albertbrug (Ponte Alberto). Sua fachada branca está um pouco descascada, mas, nos últimos dias, foi decorada com bandeiras britânicas - as tropas do Reino Unido lutaram na frente de batalha do Yser.

HORROR NAS TRINCHEIRAS

Em 29 de outubro de 1914 iniciou-se em Nieuwpoort uma chacina que só acabaria quatro anos mais tarde. O front corria ao longo dos rios Yser e Yperlee até a cidade de Ypres, onde, em 1915, os militares alemães empregaram pela primeira vez gás tóxico em combate. Ao longo dessa linha escavaram-se centenas de quilômetros de trincheiras – com os alemães na margem leste, e as tropas aliadas, na margem oeste.

Em Diksmuide, a meio caminho entre Nieuwpoort e Ypres, foi reconstituída uma parte do "Corredor da Morte", as trincheiras que tantas vezes se transformaram em armadilhas mortais.

Hoje, passeando pelos fossos sobre o chão firme, de madeira ou cascalho, é quase impossível para os turistas avaliar quão insuportável era a vida dos soldados. Lama, excrementos, crateras de bombas, cadáveres, gritos, chuva, neve e o permanente pavor de morte eram seus companheiros de trincheira, conta Patrick van Wanzele, que pesquisou os abrigos no solo.

ÚLTIMA GERAÇÃO TRAUMATIZADA

Para a população de Flandres Ocidental, a guerra foi inicialmente uma grande surpresa. Camponeses e pescadores não contavam que os alemães fossem tentar justamente por ali a passagem para a França. Em outubro de 1914, milhares de refugiados do leste pensavam ter encontrado segurança em Nieuwpoort.

Mas aí vieram os soldados, conta Patrick Vanleene, organizador de uma exposição histórica sobre a Batalha de Flandres.

"Irrompeu o pânico total, pois os habitantes da cidade não estavam preparados. Não para receber todo o Exército que chegara à cidade e procurava proteção nas igrejas e escolas", relata.

Por causa da anunciada inundação do oeste de Flandres e dos constantes combates, milhares tiveram que deixar suas propriedades. Também os avós de Vanleene foram atingidos.

"Talvez seja da última geração que ainda consegue sentir esse trauma da Primeira Guerra Mundial, pois eu ainda tinha avós que falavam a respeito. Eles viveram dos dois lados da linha do front, e tiveram que fugir, todos, para a França. Alguns dos irmãos se tornaram soldados e dois deles morreram na guerra", afirma.

"GUERRA NÃO É SÓ ALGO QUE SE VÊ NA TV"

O ano de jubileu 2014 atrai muitos visitantes a Flandres Ocidental. Espalhados pelos antigos campos de batalha, ainda há vestígios dos postos e cemitérios militares de todas as nações envolvidas no grande conflito. Trilhas sinalizadas convidam a passeios históricos de carro ou de bicicleta ao longo das pitorescas valetas à beira das quais se travaram os combates.

No momento, transcorrem na Bélgica as férias de outono: muitos pais passeiam por Flandres com os filhos. É preciso sempre explicar por que ali há tantas sepulturas, em parte ornamentadas com papoulas de papel ou plástico. Mas vale a pena o esforço, assegura Patrick Vanleene, diante do monumento a Alberto 1º em Nieuwpoort.

"Eu acredito no poder da educação. Pode-se mostrar de forma interessante aos jovens, numa exposição, quanto cuidado eles precisam ter. Meninos e meninas precisam reconhecer que guerra não é apenas algo que se vê na televisão", enfatiza o historiador.


Fonte:
http://www.dw.de/bélgica-lembra-100-anos-de-batalha-decisiva-para-primeira-guerra/a-18026279

domingo, 23 de novembro de 2014

Canhões de agosto

Trechos de Canhões De Agosto (1962), de Barbara Tuchman.


A Europa era uma pilha de espadas em equilíbrio precário, e não se podia puxar uma sem mover as outras.

- - -
Ele sabia que o sucesso material podia conquistar a opinião pública: esqueceu-se de que o fracasso moral podia perdê-la, o que também pode ser um risco de guerra.

- - -
O cérebro de Foch, como um coração, continha duas válvulas: uma bombeava entusiasmo na estratégia, a outra fazia circular o bom-senso.

- - -
Foch advertiu: a ideia de que o entusiasmo por si só pudesse triunfar era uma infantilidade.

- - -
Dizia-se que os melhores cérebros produzidos pela Escola Superior de Guerra iam para a seção de ferrovias e terminavam nos hospícios.

- - -
[Os Little Englands] Viam a França como a cigarra frívola e decadente, e gostariam de ver a Alemanha como a formiga trabalhadora e respeitável, se os posicionamentos e os rugidos do Kaiser e dos militaristas pangermânicos não desmentissem essa visão.

- - -
A vitória decisiva rápida era a ortodoxia alemã; a impossibilidade econômica de uma guerra longa era a ortodoxia de todos.

- - -
Eles [alemães] acreditavam que a Inglaterra estava ficando velha, apesar de seus amplos domínios e de ser ainda poderosa, e sentiam por ela, como os visigodos pelos romanos do último período, um desprezo que se mesclava ao sentimento de inferioridade de um recém-chegado.

- - -
Os alemães acreditavam que a intenção de lutar declarada pela Bélgica não passava de "raiva de carneiros sonhadores", nas palavras que um estadista prussiano certa vez aplicou a seus oponentes conterrâneos.

- - -
As execuções [de belgas por alemães] pretendiam ser um exercício de terror, segundo a teoria desenvolvida pelo imperador Calígula: Oderint dum metuant - Que nos odeiem, contanto que nos temam.

- - -
Kitchener lidava com a Índia, o Egito, o Império - apenas com conceitos abrangentes; nunca foi visto falando com um soldado raso, ou mesmo tomando conhecimento de sua existência. Como Clausewitz, encarava a guerra como uma extensão da política e partia dessa premissa.

- - -
Como de modo geral a história da Inglaterra no combate a oponentes destreinados e carentes de armas modernas não vinha sendo brilhante, a figura de um herói despertava orgulho no Exército e gratidão no Governo.

- - -
Quando os soldados russos avistaram pela primeira vez na vida um aeroplano, dispararam seus fuzis contra ele, convencidos de que uma invenção tão inteligente só podia ser alemã.

- - -
Ele [Joffre] achava que o dever dos generais era serem leões na ação e cães na obediência.

- - -
Os seres humanos, como os planos, mostraram-se falíveis diante daqueles ingredientes que não estão presentes nas manobras de treinamento: o perigo, a morte, a munição de verdade.

- - -
Para Wilson, neutralidade era o oposto de isolacionismo; ele queria manter-se fora da guerra para poder desempenhar um papel maior, e não menor, nos assuntos mundiais. Desejava a "glória grande e eterna" para si próprio, assim como para seu país, e percebia que só poderia conquistá-la se mantivesse a América fora do conflito, para poder atuar como árbitro imparcial.

- - -
É preciso mais coragem para parecer covarde e arriscar-se a incorrer no desfavor popular do que para arriscar-se a morrer.

- - -
Para aqueles que permaneceram em Paris durante esse período em que ninguém sabia se o próximo dia traria ou não os capacetes pontudos, os voos do Taube, sempre na hora do aperitivo, forneciam a excitação para compensar a proibição governamental ao absinto.

- - -
A verdade do avanço alemão fora oculta pela "reticência patriótica", para usar a esplêndida expressão do Sr. Asquith.

- - -
Não faz diferença se a decisão de Lanzerac nasceu do medo ou da sabedoria, pois às vezes o medo é sabedoria.

- - -
O tempo de pompa passara. Ele não bradou "Avante!", nem convocou os homens para a glória. Depois dos primeiros 30 dias de guerra em 1914, reinava a premonição de que era pequena a glória que os esperava.

- - -
Com a chegada do inverno, veio a transição gradativa e fatal para o beco sem saída de uma guerra de trincheiras. Correndo da Suíça até o Canal da Mancha através do território francês e belga como uma ferida gangrenada, as trincheiras determinaram a guerra de posições e de atrito - a insanidade brutal, enlameada e assassina conhecida como a Frente Ocidental, que perduraria por mais quatro anos.



Mais:
http://www.commentarymagazine.com/article/the-proud-tower-barbara-tuchman
http://docs.google.com/file/d/13Z6HqE_noS685_RW0zNJVsDFD018WayY

domingo, 16 de novembro de 2014

Tsingtao

O cerco de Tsingtao [31/10/1914 a 7/11/1914] marcou a colisão de duas políticas seguidas por motivos políticos inteiramente internos. Como um teatro de sombras, o cerco apenas refletia outras preocupações mais importantes para os combatentes. A Alemanha tinha fundado sua colônia na China como parte da campanha de propaganda de Tirpitz, para construção da frota de batalha germânica. Tirpitz não podia confessar a um Reichstag receoso que ele pretendia desafiar a Marinha Real. Ele tinha problemas em explicar como uma grande frota alemã iria prejudicar a França ou a Rússia em uma guerra. Encontrou aliados no lobby colonial, argumentando que a prosperidade econômica germânica exigia um grande império colonial.

Depois das primeiras semanas da guerra, [o governador] Meyer-Waldeck decidiu que mais nenhum navio passaria pela rede aliada, que se apertava. Ele preparou a cidade para o sítio, esperando que a vitória na Europa o livraria das forças esmagadoras que se reuniam contra ele. Os alemães lançaram minas navais e terrestres, cercas de arame farpado e limparam os campos de fogo.

Os alemães tinham muitos suprimentos, mas teriam que ser cuidadosos com a munição (a carga anual de recompletamento de munição estaria para chegar em setembro).

Desde os estágios de planejamento, o estado maior do exército japonês abandonou todos os limites: mostrariam a precisão e cuidado do exército. Suprimentos e potência de fogo fluíram de forma abundante, de forma a manter as baixas pequenas. A nação iria admirar o aperfeiçoamento das técnicas militares japonesas, apagando as memórias dos banhos de sangue contra a Rússia em 1905.

O estado maior escolheu o General de Divisão Mitsuomi Kamio para o comando, um oficial conhecido mais pela cautela do que por seu brilho, ordenando-lhe que não se arriscasse a sofrer um revés: tinha que mostrar uma vitória exemplar e podia pedir qualquer coisa que precisasse.

Em 27 de agosto, o Segundo Esquadrão, sob o comando do Vice-Almirante Sadakichi Kato, começou o bloqueio a Tsingtao. A inteligência naval britânica suspeitava que o esquadrão germânico de cruzadores da Ásia Oriental já tinha zarpado, mas a Marinha japonesa não se arriscou. Uma frota moderna, de dois dreadnoughts, um cruzador de batalha e dois encouraçados pré-dreadnoughts reforçaram o Segundo Esquadrão, preparado para o combate contra todo o Esquadrão Germânico. A frota tomou três pequenas ilhas costeiras como pontos de observação e começou um cuidadoso processo de varredura de minas.

Em 30 de agosto, o clima piorou. Tsingtao, a "Riviera do Oriente", orgulhava-se de ter outonos suaves e secos. O de 1914 foi um dos mais úmidos na história e até os dias de hoje, pois tufões fora de época encharcaram toda a península. Naquela noite a tempestade forçou o contratorpedeiro japonês Shirotaye contra a costa, fazendo-o encalhar em uma ilha costeira. A tripulação escapou, mas o Jaguar, apoiado pelas baterias costeiras, saiu do porto e o destruiu.

A dois de setembro, os japoneses começaram a desembarcar em Lungkou, na parte norte da península. Quatro companhias de infantaria de marinha, apoiadas por uma companhia de metralhadoras do exército, por sua vez reforçada por marinheiros, rumaram para terra. Espalharam-se pela praia e não encontraram os alemães. Um batalhão de engenharia veio a seguir, construindo um píer flutuante e dois embarcadouros de pedra em 24 horas. Um regimento de cavalaria seguiu e, então, um regimento de infantaria, que reincorporou a companhia de metralhadoras destacada anteriormente. Neste momento o clima caprichoso tinha inundado a praia e uma cena de pesadelo era visível no caos de lama, arrebentação, chuva, vento e ruído. Os animais tropeçavam ao puxar os carroções atolados, caixotes eram levados para o mar e afundavam, controladores de praia histéricos xingavam os soldados exaustos.

Um hidroavião da marinha sobrevoou Tsingtao no dia 5, chocando os alemães, que não esperavam aeroplanos. O piloto relatou a presença do cruzador Austro-Húngaro, cinco canhoneiras, um contratorpedeiro e vários vapores.

Moradores ingleses começaram a formar forças voluntárias de autodefesa, liberando unidades do exército. O exército inglês reuniu uma pequena contribuição para o comando de Kamio: um batalhão de infantaria de linha desembarcaria com a artilharia de sítio japonesa, seguido por duas companhias de infantaria hindus.

Em 13 de setembro a cavalaria japonesa esbarrou no posto avançado alemão em Tsimo, na borda do protetorado. Os espantados germânicos fugiram depois de uma curta escaramuça. Os nipônicos tomaram Kiautschou no dia seguinte, cortando a ferrovia de Shantung. Excelentes estradas germânicas ligavam Tsingtao a estes pontos.

A sabedoria de Kamio em prever as intenções alemãs derivava de uma inteligência militar superior. Ambos os lados recrutavam mão-de-obra chinesa, e tentavam organizar os coolies da área como espiões. Alguns oficiais japoneses se disfarçavam como coolies, chegando mesmo a trabalhar nas linhas germânicas. O regimento de cavalaria japonês deslocou-se para patrulhar o lado mais distante (de terra) do porto, tornando o escape ou a entrada em Tsingtao muito difícil. A opinião pública chinesa, de certa forma, apoiava os japoneses, um sentimento que aumentava de forma mais marcante à medida que a derrota germânica se tornava iminente.

- - -
Em 25 de outubro, toda a artilharia de sítio japonesa relatou estar pronta e em posição. Planejando um grande bombardeio, Kamio ordenou que nenhuma peça abrisse fogo até que cada uma delas tivesse sua dotação completa de munição, de 1.200 granadas. Nenhuma peça revelaria sua posição ao inimigo até que todas o fizessem. Ele queria que cada peça disparasse 80 granadas por dia. O estado maior planejava um bombardeio de sete dias, mas ele insistia em um suprimento para quinze dias. Para o ataque final, os engenheiros japoneses formaram pelotões de assalto equipados com granadas de fuzil e tubos de bambu cheios de explosivos (como os torpedos Bangalore, para limpar os alambrados).

Com as baterias terrestres de Tsingtao obviamente em ruínas, a artilharia de sítio mudou, em dois de novembro, os alvos para os redutos e arame farpado que os apoiavam. Naquela noite, os sitiantes cavaram sapas mais 300 metros para frente. No dia seguinte, algumas baterias obliteraram a geradora de eletricidade, enquanto a maior parte continuou a arrebentar os alambrados e esmagar os redutos. Os alemães começaram a abandonar os redutos, pois os tetos começaram a desabar. Naquela noite, os sitiantes cavaram a sua segunda paralela avançada de assalto. Na alvorada do dia 4 de novembro, uma companhia de infantaria japonesa, reforçada por um pelotão de engenheiros, atacou a estação de bombeamento de água. Ela caiu facilmente, resultando em 21 prisioneiros e os defensores tiveram que passar a se virar com água de poços. Dia após dia, a frota tinha martelado as baterias de costa até arruiná-las, enquanto as baterias de sítio arrebentavam o arame.

Meyer-Waldeck viu o fim se aproximar. Em 6 de novembro ele ordenou ao Taube para seguir para a China com seus últimos despachos. Os chineses enviaram os despachos para a Alemanha. Agora, sem alvos, a artilharia de sítio esmagava os pequenos pedaços de arame ou alvenaria abandonada que ainda podia encontrar.

Avançando pelo buraco no centro alemão, as forças japonesas se espalharam. Uma companhia de infantaria carregou até o topo da colina Iltis. Um holofote iluminou um tenente alemão reunindo seus homens com a espada na mão, no momento em que o capitão japonês subia o morro, liderando seus homens, também com a espada na mão. Piscando, os dois homens olharam um para o outro. Então, em uma incrível paródia de combate feudal, os dois oficiais lutaram um duelo de esgrima entre suas tropas. A espada de samurai provou ser muito superior à espada cerimonial de parada; o comandante japonês derrotou o seu oponente e os alemães se renderam.


Fonte:
http://www.grandesguerras.com.br/artigos/text01.php?art_id=95

Mais:
http://www.youtube.com/watch?v=ksdjeGD_4Z4

domingo, 9 de novembro de 2014

Tanga

A atuação das tropas de Paul von Lettow-Vorbeck, na África Oriental, contra as forças britânicas, em Tanga [3 a 5 de novembro de 1914], durante a Primeira Guerra Mundial.

Uma testemunha ocular descreve vivamente a batalha: "Ao amanhecer, Tighe atacou Tanga com o 13º Rajputs e o 61º de Pioneiros. Na orla de Tanga, Tighe encontrou um entrincheiramento fortemente defendido pelo inimigo. Pouco depois, ele foi atacado e repelido, seus homens cedendo em desordem. Nenhum ato heroico, por parte dos oficiais britânicos, serviu de alguma coisa. Os oficiais eram alvejados um após o outro ao tentarem reunir os homens e deter a debandada. Tivemos cerca de 300 baixas hoje e nossos homens se comportaram vergonhosamente, não mostrando em momento algum coragem militar. Nunca tive muita confiança em nossas medíocres tropas indianas. Os oficiais britânicos comportaram-se como heróis, mas nenhum deles teve qualquer chance, com seus homens fugindo como coelhos e matraqueando como macacos. Ao anoitecer, tínhamos mais dois batalhões em terra, e o restante desembarcaria na manhã seguinte. Nenhum canhão, nem sapadores serão desembarcados, o que é uma pena, pois eles estão com todos os nossos explosivos e granadas. Como é fácil esquecer aquele importante axioma militar: 'A superioridade da força no ponto decisivo.'"

Arthur Aitken [comandante da força de ataque britânica] sentiu então que os Rajputs e os Exploradores não eram de confiança. Todas as tropas, exceto os artilheiros e os sapadores, desembarcariam o mais breve possível nas praias B e C. Não se deu ordem para fazer o reconhecimento. Na verdade, nesse momento Tanga já havia sido abandonada pelos FK germânicos. O comandante alemão foi mais ativo que seu equivalente adversário e pessoalmente fez o reconhecimento de Tanga em bicicleta. Ele também compreendia o valor da artilharia e em suas memórias lamenta muito a ausência de seus canhões, que teriam sido aniquiladores a tão curta distância. Baseado na experiência pessoal adquirida no leste asiático, Lettow-Vorbeck achava que as tropas britânicas foram lançadas à batalha inabilmente e tinha certeza que, numa região fechada e desconhecida como Tanga, seus problemas seriam enormes.

Aitken decidiu avançar a 4 de novembro, numa frente ampla bastante para flanquear os alemães. A direção do avanço seria mantida pelo 2º Regimento Real do Norte de Lancashire (os Loyals), com os outros batalhões, indianos, de confiabilidade menor, metidos entre os melhores. Avançando pelo mato cerrado, pelas densas plantações de seringueiras e sisal e ao calor intenso do dia, os batalhões não podiam se deslocar com a mesma rapidez sem a perda de contato, de modo que houve extravios inevitáveis e o esperado movimento de instrução tornou-se numa turba incontrolável.

Os dois batalhões da Caxemira lograram algum progresso na investida contra Tanga, mas na extrema esquerda o 101º de Granadeiros, apesar do denodo com que se bateu, foi obrigado a recuar. O contra-ataque alemão se desenvolvia contra o flanco esquerdo britânico, que estava aberto; é que Lettow-Vorbeck compreendera que estava, ao sul, aquém do ponto atingido pela ala direita de suas tropas, e, quando os soldados começaram a recuar, o pânico foi provocado por carregadores que, sendo alvejados, abandonaram suas cargas e correram para as praias. Eles foram confundidos com askaris alemães, e este foi o sinal para os medíocres regimentos correrem para as praias. Lettow-Vorbeck insistiu no contra-ataque e o assalto britânico ruiu por terra.

Lettow-Vorbeck descreve assim a fase final da batalha: "O rumo da ação vinha mostrando que a frente inimiga, cujo flanco estava desprotegido, não havia conseguido, ao sul, atingir o ponto alcançado pela ala direita de nossas tropas. Ali, portanto, o nosso contra-ataque mostrar-se-ia aniquilador e nenhuma testemunha esquecerá o momento em que as metralhadoras da 13ª Companhia abriram um fogo contínuo nesse ponto e inverteram por completo a situação. Em louca desordem, o inimigo fugiu, e nossas metralhadoras, convergindo sobre a frente e os flancos do adversário, ceifaram companhias inteiras."

A maioria dos regimentos usados tinha pouco ou nenhum treinamento para as condições nas quais teriam que lutar e nem sequer estavam familiarizados com suas armas ou com seus comandantes. A experiência, em guerra no cerrado, da força expedicionária, era nula e, mesmo assim, ignorara-se a oferta de uma força de cobertura do experimentado KAR (King Afrikan Rifles). Os oficiais britânicos ainda resistiam ao uso de tropas africanas, que eram, realmente os únicos soldados capazes de tolerar as severas condições climáticas da área.

O serviço de inteligência, indispensável ao sucesso das operações militares, não existia na força britânica. O Estado-Maior ignorava a disposição das linhas alemãs e nada conheciam da costa onde se daria o desembarque. O comandante fora advertido de que os alemães, usando a ferrovia, podiam mandar tropas para Tanga em trinta horas, mas ainda assim os soldados foram informados de que não encontrariam qualquer resistência. Aliás, o Governador Belfield achava que a coleta de informações só era necessária "numa emergência". A conduta de uma guerra mundial não estava nessa categoria.

Vale a pena sumariar os fatores importantes que contribuíram para a derrota britânica na Batalha de Tanga. Em resumo, os princípios básicos da guerra haviam sido ignorados. A inexistência do elemento surpresa, a ausência de Inteligência, o fato de não ser feito um reconhecimento e a falta de cooperação entre marinha e exército, tudo isso combinado com a baixa qualidade das tropas, haviam transformado a Batalha de Tanga numa derrota decisiva para os britânicos antes mesmo que começasse.


Fonte:
http://www.grandesguerras.com.br/artigos/text01.php?art_id=36

Mais:
http://caminhosdamemoria.wordpress.com/2009/02/06/o-junker-invencivel-paul-von-lettow-vorbeck
http://timashby.com/the-german-general-who-told-hitler-to-go-screw-himself
http://www.youtube.com/playlist?list=PLrWPsj6fVbeVVzUgCFMZqgJFoLbWlRsJe

domingo, 2 de novembro de 2014

Coronel

La Primera Guerra Mundial llega a Sudamérica: La Batalla de Coronel

El océano de la Región del Bío Bío, al centro de Chile guarda silencioso dos enormes naves de Guerra hundidas en batalla. En su interior, cientos de hombres yacen atrapados para siempre, lejos del hogar, en una Guerra lejana para ellos pero cercana para nosotros.

Para quienes residimos en el Hemisferio Sur resultan lejanas las grandes batallas de las Guerras Mundiales que se llevaron a cabo a inicios del siglo pasado. Sin embargo, pocos conocen que la Guerra alcanzó las costas de Sudamérica; frente a Chile y Argentina. En nuestro país la batalla se desarrolló cerca de las industriales ciudades mineras de Lota y Coronel.

Para cuando terminaba el siglo XIX el Imperio Británico perdía prestigio frente al mundo. Por el contrario, Alemania se levantaba como la nueva gran potencia.

Los británicos mantenían numerosas bases alrededor del planeta, resguardando sus territorios y rutas comerciales. En Sudamérica, el principal punto de reunión para los ingleses se hallaba en las Islas Falklands (Malvinas), frente a las costas de Argentina. Allí se encontraban los hombres y las naves de guerra al mando del contraalmirante Cradock.

Por otra parte en el Pacífico Oriental los Alemanes mantenían a resguardo sus territorios en la costa de China, confiados en su gran poder naval que resguardaba las aguas del este del Pacífico, bajo la autoridad del vicealmirante Von Spee.

Ya iniciada la Primera Guerra Mundial, los británicos se asombraron al enterarse de que los alemanes habían abandonado sus bases en la costa asiática y se encaminaban por el Pacífico con destino a las islas Falklands. Esto alentó a las naves británicas las que inmediatamente se dirigieron al encuentro de los alemanes para impedir así que estos se adueñasen de sus dominios en el Hemisferio Sur del Mundo. La Primera Guerra Mundial llegaba entonces hasta Sudamérica.

En pleno Pacífico se formaba la gran flota alemana a la que se le unieron las diversas naves que resguardaban zonas bajo control germano. El Dresden, proveniente del Atlántico Central, bajando por Cabo de Hornos trajo las noticias sobre la formación británica frente a Argentina. Se reunían así todas las naves alemanas en pleno Océano Pacífico. ¿Dónde sería la batalla?

Chile, bajo su condición de país neutral observaba los acontecimientos detenidamente.

En el sur de nuestro país, en medio de islas y archipiélagos, la armada británica estableció su nueva base, allí se mantendría por algún tiempo, aguardando la llegada de los alemanes.

Octubre 27 de 1914. Se le ordena al Crucero de Guerra Glasgow dirigirse al Puerto de la industrial Ciudad de Coronel para abastecerse de carbón. Los alemanes se enteraban de la noticia.

Mientras las naves germánicas avanzaban por el Océano Pacífico, las presencia del Leipzig era detectada por los radares británicos. Se preparaban para la batalla inminente. 30 kilómetros frente a la Isla Santa María, en Coronel, a las 17 horas del 1 de noviembre, ambas escuadras se encontraban por fin.

Los británicos se ubicaron hacia el occidente, mientras que los alemanes mas cerca de la costa. La idea para los ingleses era que el Sol del atardecer dificultase la visión de los germánicos dándoles así una clara ventaja. Pero las naves inglesas eran lentas y pesadas y la ventaja se perdió. Así, de un momento a otro eran los alemanes quienes se camuflaban con la oscuridad del oriente y los británicos mostraban su silueta hacia el oeste. La noche llega y la batalla comienza.

Los cruceros británicos fueron atacados sin piedad por los alemanes, los primeros en registrar importantes daños fueron el Good Hope y el Monmouth, que redujeron su poder de ataque.

A las 20:57 el contraalmirante británico Cradock, sobre el Good Hope, esperando la menguante luz de la luna sobre el poniente para atacar a sus enemigos, recibía un certero cañonazo que terminaba por hundir rápidamente a la nave y a todos sus tripulantes, incluyendo a su máxima autoridad.

Cerca de las 22 horas el Nuremberg (alemán), que hasta entonces no había participado en la batalla, iniciaba su ataque sobre el ya herido Monmouth, quien a pesar de los graves daños jamás se rindió. A las 21:55 un cañonazo destrozaba a la herida nave británica que terminaba por hundirse con todos sus tripulantes frente a las costas del Bio Bio. No hubo sobrevivientes.

Mientras la batalla sucedía a pocos kilómetros en el océano, en las ciudades industriales costeras de Lota y Coronel los ruidos despertaron a la población, los que asustados observaban los destellos rojizos lejanos que iluminaban el cielo sobre el horizonte.

Terminaba la batalla y los alemanes subían hasta Valparaíso, donde la colonia residente los recibió como héroes. Los británicos en tanto, volvieron derrotados y con perdidas casi totales, sin embargo, cobrarían venganza en la Batalla de las Falcklands donde la armada alemana sería completamente aniquilada, incluyendo a su vicealmirante Von Spee.

Finalizado el tiempo otorgado por los países neutrales (24 horas) los alemanes zarpaban nuevamente a mar abierto, rumbo a nuevas batallas.


Fonte:
http://laciudadelosmineros.blogspot.ie/2014/08/la-primera-guerra-mundial-llega.html

Mais:
http://www.youtube.com/watch?v=gZ8Cx2KyoNc